A Guarda Civil (GCM) de Tatuí (SP) foi acionada pelo Botão do Pânico, ferramenta utilizada por mulheres em situação de violência doméstica, cerca de 40 vezes somente neste ano. Ao todo, 600 mulheres da cidade estão cadastradas no sistema municipal. O aplicativo foi criado em 2019, por meio de uma rede de apoio com o Ministério Público de São Paulo (MPSP), a Polícia Civil, a prefeitura e a Justiça, e funciona de forma simples.
Como funciona o Botão do Pânico
Ao ser apertado, a localização em tempo real da vítima é enviada à corporação, que, enquanto vai até o local, inicia um atendimento por telefone. O coordenador da patrulha, Marcos Sebastião Arruda, explica que o botão funciona de forma emergencial. O cadastro da vítima no sistema da Patrulha da Paz é feito a partir do primeiro acionamento. "Geralmente, atendemos emergencialmente. Fazemos um boletim de ocorrência, solicitamos uma medida protetiva e, a partir disso, cadastramos ela no sistema da Patrulha da Paz. Deslocamos uma viatura ao local de imediato, independente de onde ela está", pontua.
Depoimentos de vítimas acolhidas
Uma mulher, que preferiu não se identificar, foi vítima de agressões por parte do companheiro por cinco anos. Ela foi acolhida pela patrulha ao denunciar um dos episódios e, agora, diz que tem apoio e consegue ter boas noites de sono. "Posso dormir e acordar em paz. Não conseguia antes. Não dava para ficar em paz nem na minha própria casa. A pessoa que coloquei em casa achando que me daria segurança só me causou medo. Agora eu tenho um apoio", desabafa.
Uma segunda vítima, que também preferiu não se identificar, orienta que todas as pessoas que passam por dificuldades dentro de casa devem procurar ajuda o quanto antes. Há um mês, ela teve a casa invadida por outra mulher, que fez ameaças à família dela. "Não demore. Procure ajuda o quanto antes, seja a violência de todas as formas: física, financeira, independentemente. Ela precisa ser cuidada", finaliza.
Acolhimento e encaminhamento
Perla Cristina Gonçalves, guarda-assistente da patrulha, explica que o papel da guarda não é apenas realizar o atendimento, mas também fazer o acolhimento e o encaminhamento das vítimas para outros órgãos de apoio, como a Polícia Civil para elaboração de boletim de ocorrência. "Se ela passou por um trauma muito grande, nós a encaminhamos ao Centro de Atenção Psicossocial (Caps). Se ela está precisando de auxílio-aluguel, encaminhamos ao Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas). Existem mulheres que chegam somente com a roupa do corpo e precisam sair de casa. Às vezes, tem crianças que também precisam ser encaminhadas para uma creche", destaca.



