Abelhas africanizadas: ataque em Guarujá mata homem e especialistas explicam
Ataque de abelhas africanizadas mata homem em Guarujá

Ataque em Guarujá

Um enxame de abelhas africanizadas (Apis mellifera) atacou e matou um homem em Guarujá, no litoral de São Paulo, no sábado (27). A vítima, que capinava um terreno na Rua Agenor de Assis, no bairro Vila Itapema, foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros, mas não resistiu aos ferimentos. Imagens mostram o Grupamento de Defesa Ambiental (GDA) removendo a colmeia responsável pelo ataque.

Características das abelhas africanizadas

Conhecidas popularmente como 'abelhas assassinas', as abelhas africanizadas se diferenciam por sua agressividade. O biólogo Eric Comin explicou ao g1 que a agressividade está ligada ao sistema de defesa: elas detectam vibrações e ruídos, como de cortadores de grama, a mais de 30 metros do ninho. 'São consideradas assassinas não pela toxicidade do veneno, mas porque atacam em grande número, reagem a vibrações a distâncias maiores e perseguem alvos por longas distâncias', afirmou.

Segundo Comin, as abelhas podem perseguir uma pessoa por até 400 metros e o enxame permanece agitado por horas. O veneno de uma abelha africanizada tem a mesma toxicidade que o de uma europeia, mas o perigo está na resposta coletiva: ao picar, libera um feromônio de alarme que recruta centenas ou milhares de indivíduos. 'Enquanto abelhas europeias reagem a uma ameaça com dezenas, as africanizadas atacam em centenas ou milhares', comparou.

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Origem da espécie

As abelhas africanizadas surgiram no Brasil na década de 1950, após um cruzamento acidental entre abelhas africanas e europeias. O geneticista Warwick Estevam Kerr importou rainhas da subespécie Apis mellifera scutellata, da África, para pesquisas de produção de mel. Algumas rainhas escaparam de um apiário em Rio Claro, interior de São Paulo, e cruzaram com abelhas europeias, originando o híbrido que se espalhou pelas Américas.

Detalhes do ataque e ações da prefeitura

O Corpo de Bombeiros foi acionado às 9h20 de sábado. A vítima, com múltiplas ferroadas, foi levada inconsciente ao pronto-socorro de Vicente de Carvalho, mas morreu. A Prefeitura de Guarujá informou que não havia recebido pedido de remoção da colmeia, que estava em local de difícil acesso entre vegetação e resíduos, com indícios de existir havia anos. Após captura, a colmeia foi realocada para o Morro da Barra.

A prefeitura destacou que as abelhas são essenciais ao ecossistema e não devem ser eliminadas. Conforme a Lei Federal nº 9.605/98, o correto é remover e realocar colmeias por equipes especializadas, serviço solicitado pela Guarda Civil Municipal pelo telefone 153.

Orientações em caso de ataque

O especialista recomenda: correr em linha reta e rápido para se afastar do enxame; proteger rosto e cabeça; buscar local fechado; não entrar na água, pois as abelhas continuam sobrevoando; retirar ferrões imediatamente raspando com lâmina ou cartão, sem usar pinças; aplicar compressas frias; e procurar atendimento médico, especialmente em casos de múltiplas picadas ou reação alérgica.

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