Acusada de envenenar ovo de Páscoa no MA vai a júri popular mais de um ano após crime
Acusada de envenenar ovo de Páscoa no MA vai a júri popular

Mais de um ano após o crime que chocou o Maranhão, Jordélia Pereira Barbosa, acusada de envenenar um ovo de Páscoa que resultou na morte de duas crianças, finalmente será levada a júri popular. O julgamento está marcado para o dia 22 de junho de 2026, em Imperatriz, na região tocantina, conforme informações do Ministério Público do Maranhão (MP-MA).

O crime e as vítimas

Na noite de 16 de abril de 2025, Mirian Lira e seus dois filhos, Luiz Fernando, de 7 anos, e Evelyn Fernanda Rocha Silva, de 13 anos, consumiram um ovo de Páscoa que havia sido entregue por um motoboy, acompanhado de um bilhete com os dizeres: "Com amor, para Mirian Lira. Feliz Páscoa". Poucas horas depois, na madrugada do dia 17, todos começaram a passar mal e deram entrada no hospital. Luiz Fernando morreu pouco após ser internado, enquanto Evelyn faleceu cinco dias depois, em 22 de abril, devido a um choque vascular associado à falência de múltiplos órgãos. Mirian, que também ingeriu o doce, ficou intubada por vários dias, mas conseguiu se recuperar fisicamente.

Investigação e prisão

A Polícia Civil do Maranhão agiu rapidamente. Em poucos dias, as investigações apontaram Jordélia Pereira Barbosa, de 36 anos, como a principal suspeita. Ela foi presa em 17 de abril de 2025, na cidade de Santa Inês, no Médio Mearim. Com ela, foram encontradas duas perucas, restos de chocolate em bolsas térmicas e um bilhete de ônibus. Exames periciais confirmaram a presença de veneno no ovo de Páscoa, nos corpos das vítimas e nos materiais apreendidos com a acusada. A motivação, segundo a polícia, foi ciúme e vingança: Jordélia era ex-mulher do atual companheiro de Mirian, com quem ela mantinha um relacionamento há três meses.

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Julgamento adiado por recursos da defesa

Apesar da rápida investigação e prisão, o julgamento demorou mais de um ano para ser marcado. O Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) aceitou a denúncia logo após o inquérito e, em setembro de 2025, decidiu que o caso deveria ir a júri popular. No entanto, a defesa de Jordélia recorreu da decisão, pedindo a anulação da pronúncia, a retirada do caso do júri ou a mudança da classificação do crime. O recurso foi apresentado em setembro de 2025 e os autos encaminhados ao TJ-MA no dia 30 do mesmo mês, mas o processo ficou sob análise por meses. A Corregedoria Geral de Justiça do Maranhão informou que o recurso ainda não havia sido analisado com celeridade, e o TJ-MA não se manifestou sobre o motivo da demora. O caso tramita em segredo de Justiça.

Reação da vítima sobrevivente

Em entrevista, Mirian Lira destacou a eficiência da investigação e da prisão, mas expressou a ansiedade pela realização do julgamento. "A investigação foi muito rápida, foi competente. Foi rápida a prisão, foi em questão de dias de fechar o inquérito, de ter as provas em mãos. Nessa questão, a justiça foi bem rápida, eficiente em tudo. Agora, a gente só está aguardando mesmo. Porque, de ter ela já presa, é um alívio, mas o sentimento de que a justiça seja feita é quando vier o julgamento, que vier a sentença realmente, que ela venha cumprir com o que a justiça mandar", afirmou.

Perfil da acusada

Jordélia Pereira Barbosa, conhecida no ramo da beleza, mantinha um estúdio de estética em casa, em Santa Inês. Ela era esteticista, embaixadora de uma linha de cosméticos e instrutora em uma instituição de ensino profissionalizante. Nas redes sociais, compartilhava mensagens de superação e motivação. Vizinhos a descreviam como uma pessoa trabalhadora e de boa índole, embora uma colega de trabalho tenha relatado desentendimentos. Frequentava uma igreja evangélica quando era casada, e fiéis relataram que o relacionamento com o ex-marido era conturbado, com discussões frequentes. Após a prisão, Jordélia perdeu provisoriamente a guarda dos dois filhos, que passaram a viver com o pai.

O julgamento

Jordélia será julgada pelos crimes de duplo homicídio consumado e tentativa de homicídio por envenenamento. O júri popular ocorrerá no dia 22 de junho de 2026, em Imperatriz. A expectativa da família das vítimas é de que a justiça seja finalmente feita, após mais de um ano de espera.

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