Lei Seca reduz mortes no trânsito, mas desafios persistem com alta de motos
Lei Seca reduz mortes, mas alta de motos preocupa

Passados 18 anos de vigência da chamada Lei Seca, o Brasil colhe resultados positivos da tolerância zero para álcool na direção, mas enfrenta desafios para manter e ampliar a eficácia da legislação. Estudo do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), publicado pelo Estadão, mostra que as mortes no trânsito relacionadas ao consumo de álcool caíram 12,8% entre 2010 e 2024, com 1.925 óbitos a menos. A taxa por 100 mil habitantes recuou 19,5%.

Queda não é constante e preocupa especialistas

Apesar da redução geral, a análise detalhada indica uma inflexão preocupante. Após quedas consecutivas até 2016, houve reversão da trajetória. Naquele ano, foram 13.095 óbitos; em 2024, o número voltou a 13.075. A taxa por 100 mil habitantes, que atingiu 5,4 em 2019, subiu para 6,2 em 2024.

Segundo o Cisa, o perfil das vítimas explica essa mudança: o crescimento da frota de motocicletas e acidentes envolvendo motociclistas. Dados do Ipea mostram que 40% das mortes de trânsito no país envolvem motociclistas. Motos, mais baratas e ágeis, ganharam espaço como ferramenta de trabalho, e os homens, principais condutores, são mais expostos aos efeitos do álcool.

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Homens são maioria das vítimas

O Cisa aponta que 86,7% das vítimas de acidentes de trânsito por álcool são homens, que também respondem por 81,8% das hospitalizações, gerando alto custo ao SUS. A coordenadora do Cisa, Mariana Thibes, afirmou ao Estadão: “o trânsito ficou mais perigoso”. Em São Paulo, ao menos um motoboy morre por dia.

Os dados indicam afrouxamento do poder público na fiscalização e relaxamento dos condutores, que passaram a recusar o bafômetro. O estudo do Cisa mapeia o problema e traça o perfil das vítimas, servindo de base para políticas públicas focadas na população mais vulnerável.

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