Gato-palheiro-pampeano: felino raro perde 25% do habitat e tem 250 animais
Gato-palheiro-pampeano perde 25% do habitat e tem 250 animais

O gato-palheiro-pampeano (Leopardus munoai), um dos felinos mais raros do Brasil, entrou para a lista nacional da fauna ameaçada de extinção na categoria "Criticamente em Perigo", o último estágio antes da extinção na natureza. Sua população é estimada em apenas 250 animais, e o habitat sofreu uma redução de mais de 25% em apenas 15 anos.

O "fantasma dos pampas"

Discreto e difícil de ser avistado, o animal é restrito a áreas de campos nativos do sul do Rio Grande do Sul, Uruguai e nordeste da Argentina. Conhecido entre especialistas como o "fantasma dos pampas", sua raridade e comportamento esquivo dificultam os estudos e a conservação.

Perda de habitat e avanço agrícola

Dados do projeto Felinos do Pampa mostram que, entre 2005 e 2020, o habitat nativo do felino diminuiu mais de 25%. No mesmo período, as áreas destinadas à agricultura (soja) e silvicultura (papel e celulose) cresceram quase 30%, substituindo diretamente o ambiente do animal.

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Menos de 1% das áreas consideradas de alta qualidade para o gato-palheiro estão dentro de unidades de conservação, o que significa que os melhores refúgios para a espécie estão quase totalmente desprotegidos.

Ameaças múltiplas

Além da perda de território, o gato-palheiro enfrenta predação por cães domésticos, atropelamentos em rodovias, incêndios para manejo de pastagens e caça por retaliação quando preda animais de criação. A espécie depende especificamente dos campos nativos, ecossistema associado à pecuária tradicional.

"Onde tem essa pecuária tradicional, onde tem o gado, aquela figura do gaúcho a cavalo tocando gado, é onde está o gato-palheiro", afirma Felipe Peters, biólogo e pesquisador.

Ações de conservação

Especialistas do Felinos do Pampa atuam em várias frentes: sinalização de pontos críticos de atropelamento, campanhas de vacinação de animais domésticos e diálogo com produtores para mitigar a caça retaliativa. A principal estratégia é combater a perda de habitat.

"É um bicho que sempre ficou escondido. E a gente, nesses últimos anos, está batalhando para que as pessoas conheçam ele, assimilem o valor que esse bicho tem porque ele é aqui do sul, é um gato gaúcho", completa Peters.

Características e classificação

Um estudo de 142 exemplares em mais de 20 museus identificou cinco espécies de "gato-palheiro": Leopardus colocola (Chile), L. pajeros (Argentina central e sul), L. garleppi (Andes), L. braccatus (Cerrado e Pantanal) e L. munoai (Pampa). Adultos pesam de 2 a 6 kg, pelagem cinza a parda, listras pretas nas patas, nariz rosado e orelhas triangulares. São ativos dia e noite, alimentando-se de rãs, aves e pequenos roedores.

Como ajudar

Motoristas devem respeitar limites de velocidade, principalmente à noite. Criadores devem manter cães e gatos domésticos em casa e vacinados. Em caso de ataque a animais de criação, contatar a Polícia Ambiental (190) ou IBAMA (0800 061 8080). Caça, captura ou cativeiro são crimes.

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