Um novo estudo publicado na revista científica JAMA Otolaryngology–Head & Neck Surgery revela que as chamadas “canetas emagrecedoras”, medicamentos análogos ao GLP-1 usados para tratar diabetes tipo 2 e obesidade, podem causar alterações no olfato e no paladar. A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade Hebraica de Jerusalém, analisou dados de quase um milhão de americanos e identificou um risco 48% maior de distúrbios sensoriais entre os usuários desses fármacos, embora os casos sejam considerados raros.
Detalhes do estudo e achados principais
O levantamento utilizou registros de saúde de aproximadamente 940 mil pacientes nos Estados Unidos, comparando aqueles que faziam uso de análogos de GLP-1 (como semaglutida e liraglutida) com grupos de controle que não utilizavam a medicação. Os resultados mostraram que os usuários apresentaram uma incidência significativamente maior de queixas relacionadas a alterações no olfato (disosmia) e no paladar (disgeusia). De acordo com os autores, “embora os distúrbios sensoriais não sejam comuns, o aumento de 48% no risco relativo merece atenção clínica, especialmente em pacientes que já apresentam outras condições que afetam esses sentidos”.
Impacto para os pacientes e recomendações
As alterações no olfato e paladar podem impactar a qualidade de vida, incluindo a capacidade de sentir cheiros e sabores, o que pode levar à redução do apetite ou a escolhas alimentares inadequadas. Para pacientes que já utilizam canetas emagrecedoras, os pesquisadores recomendam monitoramento ativo de quaisquer mudanças sensoriais e comunicação imediata ao médico. “O reconhecimento precoce desses efeitos pode ajudar a evitar complicações e ajustar o tratamento de forma individualizada”, afirmam os autores.
Contexto e prevalência
Estima-se que mais de 1 a cada 4 adultos no mundo se enquadre nos critérios para uso de canetas emagrecedoras, segundo dados da pesquisa. O estudo reforça a necessidade de os profissionais de saúde considerarem esses potenciais efeitos colaterais ao prescrever análogos de GLP-1, especialmente em pacientes com histórico de distúrbios sensoriais ou que dependem fortemente do paladar e olfato para suas atividades diárias.



