O fim da trégua no combate à dengue chega mais cedo este ano. O calor atípico registrado durante o inverno brasileiro acelerou a reprodução do mosquito Aedes aegypti, antecipando o período de maior transmissão da doença. Diante do risco de um novo colapso nos sistemas de saúde, municípios de diversas regiões do país estão recorrendo a programas de inteligência territorial, como o Techdengue, que substituem a busca manual por criadouros por mapeamento aéreo e análise preditiva.
Calor fora de época e proliferação do mosquito
Especialistas apontam que as temperaturas elevadas durante o inverno criaram condições ideais para a proliferação do mosquito. O calor acelera o ciclo de vida do Aedes aegypti, reduzindo o tempo entre a postura dos ovos e a fase adulta. Com isso, a população de mosquitos aumenta mais rapidamente, elevando o risco de transmissão de dengue, zika e chikungunya. Segundo dados do Ministério da Saúde, os casos de dengue no primeiro semestre de 2024 já superam os registros do mesmo período do ano anterior.
Techdengue: inteligência territorial no combate
Para enfrentar esse cenário, prefeituras estão adotando soluções baseadas em tecnologia. O Techdengue é um programa que utiliza drones e sensores para mapear áreas de risco, identificando possíveis criadouros do mosquito com precisão. Em vez de agentes de saúde percorrerem ruas manualmente, o sistema gera mapas de calor e alertas preditivos, permitindo que as equipes atuem de forma direcionada. “Com o mapeamento aéreo, conseguimos cobrir áreas maiores em menos tempo e focar nos pontos críticos”, explica o coordenador do programa em uma cidade-piloto.
Resultados e impacto na saúde pública
Os primeiros resultados indicam redução de até 40% no tempo de resposta das equipes de combate. Em municípios que adotaram a tecnologia, a queda no número de casos notificados foi significativa. A análise preditiva também permite antecipar surtos, orientando campanhas de prevenção. A expectativa é que, com a expansão do programa, o Brasil consiga evitar um novo colapso na rede de atendimento, como o registrado em anos anteriores.
Desafios e próximos passos
Apesar dos avanços, a implementação da inteligência territorial enfrenta desafios, como o custo dos equipamentos e a capacitação de equipes. No entanto, o investimento inicial é compensado pela economia com internações e tratamentos. O Ministério da Saúde estuda ampliar o programa para outros estados, integrando os dados ao sistema nacional de vigilância epidemiológica. A expectativa é que, até o final do ano, pelo menos 50 municípios estejam utilizando a tecnologia.



