O avanço do uso medicinal da cannabis no Brasil, que já alcança centenas de milhares de pacientes e pode chegar a milhões nos próximos anos, segundo estimativas da Kaya Mind, está pressionando um gargalo estrutural ainda pouco discutido: a ausência de formação técnica formal para profissionais da cadeia produtiva.
Demanda crescente e falta de profissionais qualificados
Com a expansão do mercado, cresce a necessidade de mão de obra especializada em cultivo, extração, manipulação e prescrição de derivados de cannabis. No entanto, não há no país cursos técnicos ou superiores regulamentados que capacitem esses profissionais de forma padronizada. A lacuna atinge desde médicos que desejam prescrever canabinoides até técnicos responsáveis pelo controle de qualidade em laboratórios.
Iniciativas privadas tentam suprir a carência
Empresas do setor, como a Accura Ensina, têm oferecido cursos livres e treinamentos para suprir a demanda imediata. Os sócios da Accura Ensina destacam que a formação é essencial para garantir segurança e eficácia no uso terapêutico da cannabis. “Sem capacitação adequada, o paciente fica exposto a riscos e o potencial terapêutico da planta é subaproveitado”, afirmam.
Impacto na cadeia produtiva e na saúde pública
A falta de formação técnica também afeta a pesquisa clínica e o desenvolvimento de novos medicamentos. Especialistas alertam que, sem profissionais treinados, o Brasil pode perder competitividade no mercado global de cannabis medicinal, que movimenta bilhões de dólares. Além disso, a ausência de padrões técnicos dificulta a fiscalização sanitária e a integração do tratamento ao SUS.
Perspectivas para o futuro
Para reverter o cenário, associações do setor cobram do Ministério da Educação a criação de cursos técnicos e de graduação específicos, além de programas de residência médica em endocanabinologia. Enquanto isso não ocorre, a capacitação continuará sendo feita por iniciativa privada, com qualidade variável.



