Avô descobre autismo aos 55 anos após neto ser diagnosticado no Acre
Avô descobre autismo aos 55 anos após neto ser diagnosticado

Em Rio Branco, no Acre, a busca por respostas para o comportamento do pequeno Rurik Heitor Chaves, de 6 anos, levou a uma descoberta que atravessou gerações. Após o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 1 do menino, o avô materno, Ramiro Mendes, de 58 anos, também passou por avaliação e descobriu que é autista. A revelação ocorreu há três anos, quando Ramiro tinha 55 anos.

Diagnóstico do neto desencadeia descoberta do avô

Rurik foi diagnosticado com TEA nível 1 aos 1 ano e 8 meses. A neuropsicóloga Helenara Chaves, mãe do menino, percebeu comportamentos diferentes desde os primeiros meses de vida. “Ele tinha interesses muito específicos por formas e letras, algo que não era comum para uma criança tão pequena. Também apresentava movimentos repetitivos com as mãos e se incomodava em ambientes com muitas pessoas”, relembra. Apesar do desenvolvimento precoce na linguagem, Rurik tinha dificuldades de interação social.

Diante das suspeitas, os pais iniciaram intervenções antes mesmo da confirmação diagnóstica. “Foi um alívio porque conseguimos confirmar as hipóteses. Ao mesmo tempo, existe um processo de luto, porque surgem preocupações sobre o futuro”, afirma Helenara.

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Avô reconhece semelhanças e busca avaliação

Enquanto acompanhava o neto, Ramiro começou a perceber semelhanças com sua própria história. Aposentado, ele enfrentava depressão associada ao desgaste social e fazia acompanhamento psiquiátrico. “Sempre tive dificuldade em me relacionar com as pessoas e não compreendia por quê. Se eu pudesse ficar sozinho, evitar conversar e interagir, isso me deixava muito confortável”, relata.

Ele aceitou passar por avaliação específica para TEA, e o diagnóstico de nível 1 de suporte foi confirmado em 2023. “Quando recebi o diagnóstico, várias peças começaram a se encaixar. Minha mãe me contou que comecei a falar por volta dos quatro anos e meio. Eu não entendia muitas dificuldades que tive ao longo da vida”, conta.

O impacto do diagnóstico na vida do avô

Para Ramiro, a confirmação trouxe alívio e autoconhecimento. “Descobrir o autismo foi libertador. Passei a entender quem eu era e por que determinadas situações aconteciam.” Ele relembra uma situação como professor: “Uma mãe me procurou para falar sobre o filho e eu não conseguia olhar diretamente para ela. Precisei desviar o olhar. Ela ficou aborrecida e disse que eu estava sendo desrespeitoso. Hoje sei que essa dificuldade faz parte da minha condição.”

O diagnóstico também melhorou sua relação familiar. “Eu entendi que precisava aprender a ouvir mais e não permitir que o transtorno afetasse minha relação com a família.” Ele destaca que acompanhar Rurik foi essencial: “O Rurik me ajudou muito a me compreender. Eu costumo dizer que não fui eu quem compreendeu o Rurik. Foi o Rurik quem me fez compreender melhor quem eu sou.”

Trajetória e intervenções

Atualmente, Rurik faz acompanhamento psicológico para regulação emocional e terapia ocupacional com integração sensorial. Ele frequenta a escola, pratica futebol, jiu-jítsu e participa de atividades extracurriculares para fortalecer habilidades sociais e emocionais.

Helenara ressalta a diferença geracional: “Meu pai cresceu sem respostas para muitas dificuldades. O Rurik teve acesso à avaliação e intervenções ainda na infância. Isso faz toda a diferença para o desenvolvimento e qualidade de vida.”

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