Um alerta emitido por um relógio inteligente foi o responsável por salvar a vida de um analista de tecnologia de 35 anos em São José do Rio Preto (SP). Robson de Oliveira Cardoso, que não apresentava nenhum sintoma, recebeu duas notificações do dispositivo informando que sua frequência cardíaca estava anormalmente elevada. Ao procurar o hospital, descobriu que seu coração batia a 160 batimentos por minuto (bpm), um quadro grave de fibrilação atrial que exigiu internação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
O caso que derruba mitos
Diferentemente do que muitos imaginam, problemas cardíacos não afetam apenas idosos. O médico cardiologista Luciano Miola, diretor do Instituto de Moléstias Cardiovasculares (IMC) de São José do Rio Preto, explica que arritmias podem ocorrer em qualquer faixa etária, inclusive em crianças. 'O envelhecimento aumenta o risco, mas não é uma condição exclusiva de pessoas mais velhas', afirma.
Robson estava deitado em casa, prestes a dormir, quando recebeu a notificação do smartwatch. Um eletrocardiograma confirmou o diagnóstico de fibrilação atrial, um tipo de arritmia que pode aumentar significativamente o risco de Acidente Vascular Cerebral (AVC). A frequência cardíaca normal em repouso para adultos saudáveis varia entre 60 e 100 bpm, segundo estudo do Hospital Israelita Einstein.
Fatores de risco e prevenção
O médico destaca que hábitos do dia a dia podem favorecer alterações no ritmo cardíaco. Sedentarismo, obesidade, estresse, ansiedade, consumo excessivo de álcool, energéticos e cafeína são considerados fatores de risco. 'As arritmias podem acontecer em qualquer idade. Existem casos em crianças, adultos jovens e idosos', reforça Miola.
Embora Robson não tenha sentido desconforto, o cardiologista ressalta que a ausência de sintomas em frequências tão elevadas é incomum. 'É muito difícil pacientes com 160 bpm permanecerem assintomáticos. O mais frequente é que sintam palpitações, desconforto no peito ou percebam que o coração está acelerado', explica.
O papel da tecnologia no diagnóstico
Após o diagnóstico, Robson foi internado na UTI para monitoramento e exames complementares. Recebeu medicação para controlar a arritmia e recebeu alta no dia seguinte. O caso chamou atenção não apenas pela idade do paciente, mas também pelo papel crucial do smartwatch na identificação precoce do problema.
Segundo Luciano Miola, os relógios inteligentes têm se tornado importantes aliados na detecção de doenças cardíacas. 'Já fiz diagnósticos a partir de registros enviados por pacientes. Hoje, existem estudos científicos que comprovam a eficácia desses dispositivos na detecção de arritmias, principalmente da fibrilação atrial', afirma. No entanto, o médico reforça que os dispositivos não substituem avaliação médica nem exames especializados.
Sinais que não devem ser ignorados
O cardiologista alerta que sintomas como palpitações costumam ser ignorados ou confundidos com ansiedade e nervosismo. 'Muitos pacientes minimizam os sinais emitidos pelo próprio corpo', diz. A recomendação é que, ao receber alertas de frequência cardíaca elevada ou sentir qualquer desconforto, a pessoa procure atendimento médico imediatamente.
Robson Cardoso, agora recuperado, segue em acompanhamento médico. O caso serve de alerta para a importância da tecnologia aliada à prevenção e ao cuidado com a saúde do coração, independentemente da idade.



