Eloah Vitória Magalhães de Queiroz, de 16 anos, diagnosticada com síndrome de Rett, está há sete meses sem atendimento domiciliar especializado em Teresópolis, na Região Serrana do Rio. A interrupção do serviço, segundo a mãe Juliana Magalhães, compromete diretamente os cuidados diários de que a filha necessita.
Dependência total e interrupção do home care
Eloah depende de assistência 24 horas por dia, alimenta-se exclusivamente por sonda e precisa de acompanhamento contínuo devido às complicações da doença progressiva. Juliana afirma que a filha recebeu atendimento domiciliar durante seis anos, mas o serviço foi interrompido em dezembro de 2025. A empresa responsável pelo home care informou que deixou de prestar o atendimento por falta de pagamento do poder público.
Desde então, Eloah está sem assistência especializada em casa, incluindo sessões diárias de fisioterapia. A mãe relata que a adolescente perdeu peso e massa muscular desde a suspensão do serviço.
Dificuldades financeiras e traumas familiares
Além da interrupção do atendimento, a família enfrenta dificuldades para manter o tratamento. Uma das sondas utilizadas por Eloah custa mais de R$ 2 mil e precisa ser substituída a cada três meses. Quando o equipamento não é fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a compra fica por conta da família.
A trajetória da adolescente também é marcada por outras dificuldades. Sobrevivente da tragédia da Região Serrana de 2011, a família perdeu a casa, que quase foi soterrada por um deslizamento, e 16 parentes durante o desastre. Nos anos seguintes, outras perdas atingiram a família. Juliana perdeu um filho em decorrência de uma doença rara e, posteriormente, a mãe, que sofreu um infarto durante uma crise convulsiva de Eloah. Segundo a mãe, a expectativa inicial dos médicos era de que a filha vivesse apenas até os 3 anos. Com os cuidados recebidos ao longo da vida, Eloah completou 16 anos.
O que diz a prefeitura
Em nota, a Prefeitura de Teresópolis informou que Eloah é acompanhada pela rede municipal de saúde e recebe toda a assistência de responsabilidade do município. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, uma equipe multiprofissional avaliou a adolescente e concluiu que ela necessita de cuidados contínuos e permanentes compatíveis com a modalidade home care. No entanto, a pasta informou que esse tipo de atendimento não integra os serviços prestados diretamente pelo município.
A prefeitura explicou ainda que a assistência domiciliar especializada é garantida por decisão judicial, por meio de sequestro de valores. Nesse modelo, os recursos são liberados por determinação da Justiça para custear o serviço, que não é contratado nem administrado pela Secretaria Municipal de Saúde. Ainda de acordo com a administração municipal, a Secretaria de Saúde continua acompanhando o caso, prestando a assistência de sua competência e adotando as medidas cabíveis sempre que necessário.
A mãe de Eloah, porém, contesta que o atendimento oferecido atualmente seja suficiente. Ela cobra o restabelecimento do home care e afirma que também enfrenta dificuldades para obter medicamentos e suplementos alimentares, que, segundo ela, frequentemente estão em falta na farmácia municipal. A família segue buscando uma solução para garantir a continuidade do tratamento e da assistência especializada de que Eloah necessita.



