A Prefeitura de São Paulo oficializou, nesta quinta-feira, 11, a decisão do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental (Conpresp) de tombar o prédio da Escola Panamericana de Arte e Design, localizado no bairro de Higienópolis, na região central da capital paulista. A resolução foi publicada no Diário Oficial do município, consolidando a proteção legal ao imóvel.
Decisão do Conpresp e recurso negado
Em maio deste ano, a maioria dos conselheiros do Conpresp já havia rejeitado o recurso apresentado pela empresa Keeva Participações, proprietária do imóvel, que solicitava a reversão do tombamento aprovado em 2024. O edifício, projetado pelo arquiteto Siegbert Zanettini, é considerado um marco da arquitetura pós-moderna paulistana. A reportagem tenta contato com a Keeva para comentar a decisão. Em março, o representante da empresa informou ao Estadão que a via judicial seria avaliada caso o recurso não fosse acatado.
Elementos de interesse preservados
A resolução publicada nesta quinta-feira define os elementos de interesse do imóvel que devem ser preservados em futuras intervenções. Entre eles estão:
- A estrutura metálica principal, aparente tanto no interior quanto no exterior do edifício;
- Os túneis-pontes em estrutura metálica cilíndrica;
- O arremate piramidal em estrutura metálica, acima do 4º pavimento, na esquina entre a fachada lateral e a fachada da Rua Pará;
- As esquadrias em alumínio e vidro existentes em todas as fachadas do edifício;
- As escadarias aberta e fechada, com estrutura metálica;
- Os elevadores panorâmicos;
- O painel-porta pivotante do salão de exposições, no térreo.
Relevância arquitetônica e histórica
No ato de tombamento, em 2024, o conselho reconheceu a “relevância da edificação como testemunho para a história da técnica e da arquitetura, revelando características importantes da linguagem pós-moderna e do urbanismo paulistano do final do século 20”. O edifício chama a atenção pelo formato inusitado e pelo uso de cores vibrantes, como o vermelho, além de ter toda a estrutura em aço. As soluções arquitetônicas incluem lajes “cogumelo”, treliças e cilindros metálicos que lembram a fuselagem de um avião vista por dentro. O parecer de tombamento destaca a “estética high tech” do prédio, classificado como “um verdadeiro marco da arquitetura e design de São Paulo”.
Recurso da proprietária e mobilização social
No recurso, a Keeva apresentou um parecer do arquiteto Pedro Taddei Neto, que avaliou que o edifício não seria uma obra relevante. Segundo ele, o valor arquitetônico e histórico não seria inédito ou excepcional, “tendo em vista que, datada de 1998, é uma obra tardia da geração das exoestruturas em aço”. O parecer também questionou a existência de valor afetivo da obra para a população paulistana. Em contrapartida, entidades da sociedade civil, como o Movimento Defenda São Paulo, a Associação de Proprietários, Protetores e Usuários de Imóveis Tombados (APPIT) e o Coletivo Pró-Higienópolis, mobilizaram-se para que a proteção legal ao imóvel fosse mantida.
Demolição de prédio similar
Vale lembrar que outro prédio da Panamericana, também projetado pelo arquiteto Zanettini e com características semelhantes, localizado na Rua Groenlândia, foi demolido em 2021, apesar da mobilização para que fosse preservado. O tombamento do edifício em Higienópolis representa uma vitória para os defensores do patrimônio histórico e arquitetônico da cidade.



