Casal morre no mesmo dia após 64 anos de união em SP
Casais morrem no mesmo dia após 64 anos de união em SP

Uma história de amor que durou mais de seis décadas terminou de forma poética e comovente no interior de São Paulo. Carlos Dirceu Garavelo, de 81 anos, e Tereza Ungaro Mioto Garavelo, de 78, morreram no mesmo dia, 27 de maio, após 64 anos de casados. O marido faleceu apenas uma hora depois do sepultamento da esposa, como se não pudesse viver sem ela.

Saúde debilitada e despedida iminente

Carlos estava internado em estado grave em um hospital de Estrela d'Oeste (SP). Fumante por muitos anos, ele havia sido diagnosticado com enfisema pulmonar, doença respiratória crônica que destrói os alvéolos dos pulmões. Já Tereza, apesar de não ter comorbidades e gozar de boa saúde, foi hospitalizada após uma infecção urinária que evoluiu para pneumonia bacteriana. Inicialmente atendida em Fernandópolis (SP), foi transferida para São José do Rio Preto (SP) para uma cirurgia necessária para conter a infecção, mas não resistiu e morreu à 0h15 do dia 27 de maio.

O filho do casal, João Carlos Garavelo, de 56 anos, relatou ao g1 que, cerca de 15 minutos após a morte de Tereza, os sinais vitais de Carlos pioraram repentinamente. Ele morreu às 17h, aproximadamente uma hora após o sepultamento da esposa, que ocorreu às 16h. “Era como se estivesse aguardando a partida dela para também descansar. Poucas horas depois, ele também faleceu. Para nós, fica a sensação de que o amor deles era tão forte que nem a morte conseguiu separá-los”, comentou o filho.

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Amor à primeira vista em um baile

A história de Tereza e Carlos começou há mais de seis décadas, durante um baile em um terreiro de secagem de café. Foi amor à primeira vista. Namoraram escondido por três meses até decidirem se casar. Trocaram alianças em 15 de maio de 1963 em São João das Duas Pontes (SP) e partiram juntos no mesmo mês. “Foi amor à primeira vista. Dançaram juntos naquela noite, começaram a namorar escondido. A história deles era daquelas que parecem ter saído de um filme. Foi um amor construído com respeito, cumplicidade e dedicação”, recorda o filho.

Ao longo dos anos, construíram uma família com dois filhos, três netas e dois bisnetos. Carlos trabalhou como sitiante e Tereza como comerciante. Mesmo aposentados, mantinham-se ativos e continuavam trabalhando. “A convivência deles era marcada pela parceria. Eram inseparáveis. Compartilhavam alegrias, desafios e construíram uma família baseada no amor e no respeito”, afirma João.

Duas despedidas no mesmo dia

Para o filho, enfrentar duas perdas em poucas horas foi uma experiência difícil de descrever. Apesar da tristeza, a família encontra conforto na história construída pelo casal. “Foi uma dor imensurável. Em poucas horas, perdemos os dois pilares da nossa família praticamente ao mesmo tempo. Sempre fizeram questão de estar juntos. A presença de um fazia parte da vida do outro, e essa união permaneceu forte durante toda a trajetória que construíram”, afirma João.

A principal lembrança deixada por Carlos e Tereza, segundo os familiares, é o exemplo de companheirismo e cumplicidade. “A principal lembrança é a cumplicidade. Eles sempre estavam juntos e demonstravam diariamente o quanto se amavam. Era um amor simples, verdadeiro e admirável. Eles mostraram para todos nós o verdadeiro significado de construir uma vida a dois”, finaliza o filho.

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