Plataforma Climate Acre mapeia impactos de enchentes em áreas vulneráveis no estado
Plataforma Climate Acre mapeia impactos de enchentes em áreas vulneráveis no estado

Uma ferramenta inédita promete mudar a forma como o Acre enfrenta os efeitos das cheias históricas que marcam o estado. Lançada no último dia 22 de setembro durante a Semana do Clima de Nova York, a plataforma Climate Acre foi desenvolvida para mapear os impactos das enchentes em populações vulneráveis, incluindo povos indígenas, comunidades tradicionais e moradores da capital Rio Branco.

O sistema, resultado de uma parceria entre o governo do Acre e a empresa brasileira Codex, utiliza dados geoespaciais para identificar áreas de risco, projetar cenários futuros e oferecer informações em tempo real para gestores públicos e a sociedade. A plataforma já começa a operar com informações de sete municípios prioritários, entre eles Rio Branco, Brasiléia e Xapuri, cidades que nos últimos anos registraram enchentes de grandes proporções.

Em Brasiléia, por exemplo, que teve a maior cheia da sua história em 2024, a ferramenta mostra que 314 hectares foram inundados, atingindo 12 bairros e 29 estruturas públicas. Com base em softwares de inteligência geoespacial, o Climate Acre integra dados populacionais, socioeconômicos e hidrológicos, cruzando informações do Centro Integrado de Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental (Cigma) com órgãos como Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e IBGE.

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Segundo o diretor de Negócios da Codex, Venicios Santos, o projeto se destacou pelo tempo recorde de execução, já que houve menos de 12 meses entre a concepção e o lançamento. Além de oferecer simuladores interativos que mostram os efeitos da elevação dos rios amazônicos, a plataforma disponibiliza painéis com indicadores em tempo real. A proposta é que tanto a população quanto gestores públicos possam acessar informações e planejar rotas de evacuação, ações de assistência social e estratégias de reconstrução.

O histórico de enchentes sucessivas do Rio Acre foi um dos motivos pelos quais a plataforma ganhou vida. Um estudo elaborado pela prefeitura da capital em parceria com o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia mostrou que desde 1971, quando o manancial começou a ser monitorado, Rio Branco registrou 43 enchentes, sendo seis extraordinárias, ou seja, acima dos 17 metros. Nos últimos 15 anos, a situação se tornou quase frequente, já que em 12 anos houve enchente. Nesta década, as inundações ocorreram em todos os anos, sendo duas extraordinárias consecutivas: 2023 e 2024.

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