O inverno na região de Campinas (SP) será marcado por temperaturas mais altas e chuvas acima da média para a estação, devido à formação do fenômeno climático El Niño, que tem alta probabilidade de se consolidar no segundo semestre de 2026. O alerta é do meteorologista Bruno Bainy, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), da Unicamp.
O que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno causado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, alterando ventos e correntes marítimas e modificando a distribuição de temperaturas no planeta. Na região de Campinas, os principais impactos serão ondas de calor e picos de temperatura elevada anormais para o inverno, especialmente em setembro.
Frentes frias mais curtas e menos intensas
De acordo com Bainy, o El Niño pode enfraquecer as frentes frias que avançam do oceano para o continente, fazendo com que durem menos tempo que o habitual. "Elas devem ficar estacionadas aqui na região e depois seguir para o oceano. Então isso implica em uma queda, alguns dias de frio, sem dúvida nenhuma são esperados, mas a principal expectativa é de que isso não seja algo tão extremo e prolongado", explica.
Chuvas mais regulares e benefícios para a agricultura
Outra consequência das temperaturas acima da média é o aumento das chuvas, que devem ser mais regulares ao longo da estação. "A expectativa é que elas ocorram de forma um pouco mais regular, que a gente não tenha períodos tão prolongados de estiagem. Pelo menos até o final de julho nós não temos indicativos de períodos prolongados muito secos", afirma Bainy. Isso pode beneficiar a agricultura, melhorar a qualidade do ar e reduzir a incidência de poluentes atmosféricos, comuns no inverno da região. No entanto, o meteorologista ressalta que mesmo com chuvas acima da média mensal, os reservatórios de água podem não se recompor totalmente, pois o inverno é a época do ano com menor volume de precipitação.



