Juliana Maria Teixeira da Costa, vice-prefeita afastada de Ribeira (SP), foi denunciada pelo Ministério Público por utilizar R$ 41,2 mil de recursos públicos para pagar um 'casamento espiritual' – uma amarração amorosa – e por manter uma servidora fantasma na Secretaria Municipal de Saúde, gerando um prejuízo adicional de R$ 30 mil. O MP pede a devolução integral dos valores.
Esquema de fraude e amarração amorosa
Segundo a denúncia, Juliana teria fraudado licitações para beneficiar a empresa W.F. da Silva Treinamentos, de propriedade de Willian Felipe da Silva. A empresa teria realizado o pagamento de R$ 41,2 mil para uma amarração espiritual encomendada pela vice-prefeita, com o objetivo de afastar Lauro Olegário da Silva Filho, então coordenador municipal de Saúde, de sua esposa e estabelecer uma relação afetiva com ele. O caso tramita sob segredo de Justiça, em fase de alegações finais. A Justiça manteve o afastamento de Juliana na última semana.
Servidora fantasma na Saúde
Além da denúncia criminal, Juliana responde por improbidade administrativa por manter a contratação irregular de uma servidora fantasma na pasta da Saúde. A jovem, filha do antigo secretário municipal, foi contratada diretamente com dispensa de licitação, sem capacitação técnica, e recebeu cerca de R$ 30 mil entre julho de 2024 e maio de 2025. Em depoimento, a jovem afirmou que trabalhava a pedido do pai e realizava serviços básicos, como digitação e instalação de programas. O MP constatou pagamentos no Portal da Transparência até maio de 2025, período em que Juliana já era secretária de Saúde.
Defesa e posição do MP
A defesa de Juliana alega que ela não era secretária quando a servidora foi contratada e que não há provas de dano ao erário ou dolo específico. O MP, no entanto, rebateu, afirmando que a secretária tinha o dever de fiscalizar contratos e pagamentos, especialmente por envolver uma menor de idade, filha do ex-secretário, sem comprovação de serviços. O órgão pede a condenação de Juliana e do prefeito Ari do Carmo por improbidade administrativa, além do ressarcimento de R$ 30,4 mil e uma reforma administrativa no município para evitar novas irregularidades. A Justiça ainda não decidiu sobre o pedido.



