O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) contestou o pedido da defesa de Deolane Bezerra para que ela seja transferida para uma Sala de Estado-Maior, um tipo de cela especial reservada a advogados. O órgão argumenta que há pelo menos 38 advogados presos em cadeias do estado que não tiveram esse benefício concedido, e que a Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP) não ingressou com habeas corpus para garantir a transferência desses profissionais.
Contexto da prisão de Deolane Bezerra
Deolane Bezerra, advogada e influenciadora digital, foi presa preventivamente no âmbito de uma investigação sobre lavagem de dinheiro que teria ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A OAB-SP suspendeu o exercício profissional de Deolane em decorrência das investigações. A defesa da advogada solicitou à Justiça a transferência para a Sala de Estado-Maior, alegando prerrogativas da classe.
Argumentos do MP-SP
Em manifestação ao tribunal, o MP-SP destacou que não há registro de que a OAB-SP tenha impetrado habeas corpus em favor dos 38 advogados presos que estão em celas comuns. Para o órgão, isso enfraquece o argumento de que a transferência de Deolane seria um direito automático. “Não se pode tratar de forma diferenciada uma advogada que responde a processo por suposta participação em organização criminosa, enquanto dezenas de outros profissionais da mesma categoria permanecem em unidades prisionais comuns sem qualquer pleito similar”, afirmou o promotor responsável pelo caso.
Repercussão e próximos passos
A decisão sobre o pedido de transferência caberá ao juiz responsável pelo processo. A defesa de Deolane ainda não se manifestou publicamente sobre a contestação do MP-SP. O caso reacende o debate sobre os limites das prerrogativas profissionais de advogados em situações de prisão preventiva, especialmente quando há indícios de envolvimento com atividades criminosas graves.



