O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) entrou com recurso para reverter a decisão que restringe o acesso da imprensa e do público ao júri popular de Carlinhos Bezerra, acusado de matar a ex-companheira Thays Machado e o namorado dela, Willian César Moreno. O julgamento está marcado para terça-feira (7) em Cuiabá.
Recurso do MP contra sigilo no júri
O pedido foi protocolado pela promotora Élide Manzini de Campos na quinta-feira (2). Ela argumenta que não há justificativas suficientes para manter o sigilo na fase atual do processo e defende a abertura da sessão, respeitando o princípio da publicidade dos atos judiciais.
A restrição foi determinada pela juíza Mônica Perri, responsável pelo julgamento. Apenas pessoas diretamente envolvidas no processo poderão permanecer no plenário. A medida foi adotada após solicitação da defesa do réu, sob o argumento de que a ação tramita em segredo de Justiça, segundo o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Regras de acesso e cobertura
Conforme o TJMT, a imprensa não terá acesso ao plenário. Informações sobre o andamento serão divulgadas pela assessoria do gabinete da magistrada e repassadas aos jornalistas pela assessoria de comunicação do tribunal. Será permitida apenas a captação de imagens da área externa do Fórum de Cuiabá, para evitar transtornos e preservar o funcionamento da unidade.
Relembre o caso
Carlos Alberto Gomes Bezerra, filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra (MDB), foi indiciado por assassinar a tiros Thays Machado, 44 anos, e William César Moreno, 30 anos, em Cuiabá. Ele responde por feminicídio, já que a vítima era ex-companheira. O crime ocorreu em 18 de janeiro de 2023, no bairro Alvorada.
Thays havia registrado boletim de ocorrência contra o suspeito no mesmo dia do assassinato. Ele teria aguardado a saída do casal em frente ao prédio onde a vítima visitava a mãe e efetuado os disparos ao se aproximar de carro. Investigações apontam que o acusado monitorava a rotina da ex-namorada: a DHPP encontrou registros de localização, 71 prints com pontos frequentados pela vítima e anotações sobre sistemas de monitoramento instalados no celular durante o relacionamento. Segundo o delegado, o acusado premeditou o assassinato por ciúmes, motivado pela “emoção de vê-la se relacionando com outro homem”.



