Condenado a 24 anos por feminicídio em São Pedro
Condenado a 24 anos por feminicídio em São Pedro

A Justiça condenou, nesta quinta-feira (25), Danilo Henrique Gonçalves Francisco a 24 anos e seis meses de prisão em regime fechado pela morte da esposa, Vanessa Veroneze Francisco. A vítima foi sequestrada e morta com um tiro na nuca em uma área rural de São Pedro (SP), em novembro de 2023. O júri encerrou por volta das 21h50. Além da pena principal, o Conselho de Sentença fixou mais um ano e seis meses de detenção e 50 dias de multa.

Inquérito revela simulação de assalto

À época, o crime foi tratado como assalto seguido de morte, mas investigações apontaram que Danilo, que está preso, simulou um assalto para encobrir o feminicídio da esposa. A polícia concluiu o inquérito em fevereiro de 2024, e Danilo passou a responder pelos crimes de feminicídio, furto qualificado, posse ilegal de arma, fraude processual e coação no curso do processo. O delegado Marcel Willian Oliveira da Sousa afirmou que Danilo negava envolvimento desde o início. O g1 procurou a defesa do réu, mas não encontrou os advogados até a última atualização.

Versão inicial do crime

O assassinato ocorreu na madrugada de 27 de novembro de 2023. Segundo o boletim de ocorrência, Danilo relatou que ouviu um barulho na área externa do sítio onde o casal residia. Vanessa teria dito que o irmão a chamava e, ao abrir a porta, foi rendida por um criminoso armado. Danilo alegou que também foi rendido e que o suposto assaltante pedia dinheiro. Após vasculhar a casa, o invasor teria levado R$ 6 mil em dinheiro. Danilo disse que foi obrigado a dirigir até a entrada do sítio, onde levou uma pancada na cabeça e ficou atordoado, não vendo para onde a esposa foi levada. A Polícia Militar encontrou o carro atolado e Vanessa já sem vida, a cerca de 1 km da propriedade, com ferimento na cabeça. Em entrevista à EPTV, Danilo afirmou que foi obrigado a tomar um comprimido para ficar inconsciente.

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De vítima a suspeito

Até 8 de dezembro de 2023, a Polícia Civil tratava o caso como latrocínio. No entanto, o laudo pericial apontou traumatismo cranioencefálico por arma de fogo como causa da morte. O delegado destacou que a investigação avançou com buscas na área rural. Durante as investigações, a polícia fez descobertas que contrariaram a versão de assalto: um manuscrito em uma parede do sítio apontava a existência de um revólver; a partir disso, a polícia localizou a arma escondida em uma porteira, que pertencia ao sogro da vítima. Incoerências nas versões de Danilo o colocaram na mira das investigações. Segundo o delegado, “conseguimos a obtenção de elementos materiais que demonstram diversas inconsistências nessas versões oferecidas pelo marido da vítima”. Danilo foi preso temporariamente e, em fevereiro de 2024, teve a prisão convertida em preventiva até o julgamento.

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