Diocese denuncia atraso de R$ 20 mi em repasses do governo do Acre
Atraso de R$ 20 mi em repasses no Acre é denunciado por Diocese

A Diocese de Rio Branco denunciou o atraso no repasse de mais de R$ 20 milhões por parte do governo do Acre e da Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre) referentes a convênios para atendimento no Hospital Santa Juliana e na Casa de Acolhida Souza Araújo. O convênio com o hospital permite o atendimento de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto a Casa Souza Araújo abriga 30 pessoas com sequelas da hanseníase, afastadas de suas famílias em décadas passadas.

Impacto financeiro e operacional

Em publicação nas redes sociais, a diocese ressaltou que os atrasos são recorrentes e comprometem o equilíbrio financeiro, dificultando o planejamento administrativo e operacional. Conforme apurado pelo g1, há atraso no pagamento de funcionários, mas a instituição não informou quantos trabalhadores estão afetados nem há quanto tempo. A diocese afirma que cerca de 80% dos atendimentos no Santa Juliana são de usuários do SUS e que o hospital responde por aproximadamente 50% dos partos realizados em Rio Branco.

Serviços continuam, mas risco persiste

"Esta manifestação pública busca apenas o cumprimento das obrigações assumidas pelo poder público em relação aos serviços efetivamente prestados à população por meio do Sistema Único de Saúde", diz parte da nota da diocese. A instituição argumenta que os pagamentos em atraso são por serviços já executados, auditados e reconhecidos pelo poder público. A diocese alerta que os atrasos se acumularam nos últimos anos e que há risco de comprometimento dos serviços. Apesar disso, tanto o Hospital Santa Juliana quanto a Casa de Acolhida Souza Araújo continuam funcionando normalmente, segundo a diocese.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Histórico de atrasos e cortes

Em 2021, durante a pandemia de covid-19, a Diocese de Rio Branco já havia encerrado tratativas com a Sesacre pelo convênio da Casa de Acolhida Souza Araújo. Na ocasião, sem recursos, o abrigo teve a energia cortada por falta de pagamento. A Sesacre informou que tinha interesse em celebrar o convênio, desde que o Plano de Trabalho fosse ajustado. Após negociações, a diocese conseguiu renegociar a dívida com a Energisa, mas ainda devia R$ 3 mil à distribuidora. As contas em atraso resultaram de seis meses de vencimento do convênio, gerando dívidas de até R$ 1 milhão.

Em 2019, o então bispo Joaquín Pertíñez anunciou a suspensão dos atendimentos pelo SUS no Hospital Santa Juliana por falta de repasse do governo, com dívida de R$ 4 milhões. Já em 2018, médicos alegaram atraso de quase quatro meses nos salários e passaram a atender apenas urgências e emergências. No início de 2019, os serviços foram novamente suspensos por falta de pagamento.

O g1 entrou em contato com a Sesacre e aguarda retorno.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar