O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou dados que mostram um aumento no percentual de jovens de 15 a 17 anos matriculados ou que já concluíram o ensino médio: de 77% em 2024 para 81% em 2025. O resultado alivia preocupações sobre uma possível evasão escolar em massa, mas especialistas alertam que os desafios de permanência e aprendizagem continuam críticos, especialmente entre populações vulneráveis.
Metodologias diferentes explicam discrepâncias
As diferenças entre os dados do Censo Escolar e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad-C) são atribuídas a metodologias distintas. Enquanto o Censo Escolar contabiliza matrículas nas escolas, a Pnad-C considera a declaração dos moradores sobre frequência ou conclusão. Apesar das divergências, ambas as fontes indicam uma trajetória de melhora no acesso, mas insuficiente para garantir a conclusão do ciclo básico.
Permanência e aprendizagem ainda são gargalos
Segundo o IBGE, a taxa de abandono escolar entre jovens de 15 a 17 anos ainda é elevada, principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Além disso, a qualidade da aprendizagem preocupa: dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) mostram que menos de 40% dos alunos do ensino médio têm aprendizado adequado em português e matemática. “Melhoramos no acesso, mas estamos longe de garantir permanência e aprendizagem de qualidade para todos”, afirma o analista do IBGE, Antônio Gois.
Desigualdades persistem entre grupos vulneráveis
Os dados revelam disparidades significativas: jovens negros, indígenas e de famílias de baixa renda apresentam taxas de matrícula e conclusão inferiores às médias nacionais. A diferença entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres chega a 15 pontos percentuais. Para Gois, “é preciso políticas específicas para esses grupos, combinando apoio financeiro, pedagógico e combate à evasão”.
Impacto no mercado de trabalho e futuro dos jovens
A baixa permanência no ensino médio compromete a inserção qualificada no mercado de trabalho. Jovens sem o ciclo completo têm renda média 40% menor e maior probabilidade de desemprego. O IBGE ressalta que a meta do Plano Nacional de Educação (PNE) de universalizar o atendimento escolar para essa faixa etária até 2024 não foi cumprida, e o novo PNE precisa priorizar não apenas o acesso, mas a conclusão com qualidade.
Recomendações de especialistas
Especialistas ouvidos pela coluna defendem a integração de políticas de assistência social, como o Bolsa Família, com programas de reforço escolar e incentivo à permanência. Também sugerem a expansão do ensino integral e a adequação do currículo às necessidades dos jovens. “Não adianta ter vaga na escola se o aluno não vê sentido no que estuda ou precisa trabalhar para ajudar em casa”, conclui Gois.



