A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) rescindiu o contrato com a empresa encarregada das obras de ampliação das pistas no trevo do Belvedere, localizado na Região Centro-Sul da capital mineira. Com essa decisão, os trabalhos foram interrompidos em um dos principais acessos ao Vetor Sul da cidade, gerando transtornos para motoristas e moradores.
Detalhes da obra e problemas identificados
A intervenção ocorre na ligação entre a MGC-356 e a Avenida Raja Gabaglia e previa a construção de faixas adicionais nos dois lados do viaduto. O objetivo era melhorar a fluidez do trânsito e reduzir os congestionamentos registrados diariamente na região. Segundo a Secretaria Municipal de Obras, a rescisão contratual ocorreu após um processo administrativo que identificou diversas irregularidades na execução dos serviços.
De acordo com a prefeitura, foram constatados atrasos injustificados, baixo desempenho na realização das atividades, descumprimento de exigências técnicas e contratuais, além de falhas no cumprimento do cronograma previsto. A obra tem investimento estimado em R$ 16 milhões e foi iniciada em julho de 2025.
Impacto no trânsito
Com a paralisação, motoristas que utilizam o trecho seguem enfrentando retenções, especialmente nos horários de maior movimento. O motorista de aplicativo Eder James relatou a situação: "É bem problemático, principalmente no horário de pico. Já tem que vir com paciência. A gente já vem preparado porque sabe que vai atrasar, sabe que vai agarrar".
Posição da empresa
Em nota, o consórcio responsável pela obra afirmou que foi surpreendido pela rescisão do contrato e que vai recorrer da decisão. Segundo a empresa, os atrasos ocorreram por inconsistências no projeto apresentado pela prefeitura e pelo embargo da retirada de árvores na área da intervenção.
Possíveis penalidades
De acordo com a Secretaria Municipal de Obras, a empresa poderá ser multada em mais de R$ 2 milhões e ficar impedida de participar de novas licitações do município. Enquanto a situação não é resolvida, quem passa pelo local diariamente cobra uma solução para a retomada da intervenção. O taxista José Marcos da Costa afirmou: "Não pode haver desperdício do dinheiro. É dinheiro nosso que está sendo jogado aí. Já que largaram a obra, que devolva o dinheiro e ponha outra empresa para acabar. A gente precisa dessa obra. O trânsito aqui é um dos piores de Belo Horizonte".
Histórico de problemas
A paralisação é mais um capítulo de uma obra que já enfrentava impasses antes mesmo de começar. Em abril de 2025, a empresa vencedora da primeira licitação desistiu do contrato após mudanças no projeto feitas pela prefeitura, depois de protestos de moradores contra a retirada de árvores na região. Uma nova empresa assumiu os trabalhos, mas a obra acabou interrompida por descumprimento contratual, segundo a PBH.
Opinião de especialista
Para o engenheiro de transportes Saulo Horta Barbosa, a ampliação das pistas pode melhorar a fluidez do trânsito no local, mas não resolve os problemas de mobilidade da região. "Passar mais carros ali no trevo do BH Shopping não necessariamente vai resolver todo o problema da região. Ele vai mudar o ponto de gargalo para outro local. O que a gente precisa é, de fato, uma solução integrada: melhorar transporte coletivo, criar outras vias de acesso", afirmou.



