II Semana de Arte de Cataguases celebra ancestralidade de 19 a 27 de junho
II Semana de Arte de Cataguases celebra ancestralidade

Quase um século depois de se consolidar como um dos principais polos culturais brasileiros, Cataguases recebe, entre os dias 19 e 27 de junho, a II Semana de Arte, com uma programação gratuita que inclui exposições, shows, espetáculos, performances, oficinas e mostras audiovisuais. As atividades ocorrem em praças, centros culturais, escolas e outros espaços públicos do município.

Ancestralidade como tema central

Sob o tema “Por uma perspectiva decolonial: Ancestralidade como ponte para novos futuros”, a edição de 2026 promove dezenas de atividades ao longo de nove dias. O evento aproxima diferentes linguagens artísticas e coloca em diálogo tradição e contemporaneidade, com a participação de artistas visuais, músicos, cineastas, performers, pesquisadores e representantes de povos originários.

Vozes ancestrais ocupam o centro da programação. O artista indígena Hiram Apon Puri é um dos convidados, e a presença de artistas indígenas permeia toda a programação, constituindo um dos eixos centrais desta edição. Performances, espetáculos, oficinas e apresentações musicais conduzidas por representantes dos povos Puri e Pataxó promovem reflexões sobre memória, pertencimento, espiritualidade e resistência cultural, integrando saberes ancestrais às práticas artísticas contemporâneas.

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“A II Semana de Arte de Cataguases busca dar voz a múltiplos saberes, conectando a ancestralidade indígena e afro-brasileira com a criação contemporânea, para que a arte se torne um espaço de reflexão e pertencimento para todos. Nossa intenção é que cada atividade, oficina e performance revele como tradição e inovação podem caminhar juntas, mostrando que o futuro da arte está enraizado na memória e na diversidade cultural de Cataguases”, destacam os coordenadores do projeto, Mariela Oliveira e Marcus Diego.

Abertura da programação

O primeiro evento acontece no dia 19 de junho, sexta-feira, às 19h, e marca a abertura de exposições na Galeria de Experimentação, no Museu Energisa. São elas: “Mitologia Estendida”, assinada por Ângelo Pixel, Auá Mendes e Cláudio Santos, que incorpora recursos de realidade aumentada e realidade mista em uma experiência transmidiática inspirada em memórias ancestrais e na relação entre natureza, identidade e território; a mostra de artistas cataguasenses, composta por Alcione Martins, Luiz Leitão e Guto Mattos; e a individual de David Arranhado, artista português radicado no Brasil, que fará ainda uma ação de live painting na noite.

A partir das 19h, o Anfiteatro Ivan Müller Botelho recebe o solo “Pulso Ancestral”, com a bailarina Tatiane Dias, do projeto Girarte, e logo em seguida, a performance-ritual “Txori Peo, Mata Clama”, na qual o artista indígena Hiram Apon Puri propõe um mergulho nas memórias da Mata Atlântica pela ótica do povo Puri.

Abertura oficial e homenagem a Humberto Mauro

No sábado, 20 de junho, às 19h30, a Praça Simão José Silva recebe a cerimônia oficial de abertura, com teatro, cinema, dança, música e artes visuais. A apresentação parte do encontro simbólico entre Humberto Mauro, cineasta cataguasense que projetou nacionalmente o nome da cidade, e uma personagem chamada Presente. Juntos, eles passam a imaginar novos futuros possíveis diante das diversas crises (ambientais, climáticas, sociais) advindas do tão aclamado “progresso”.

O encontro ganha força visual com a exibição de imagens do documentário “Cinema é Cachoeira – Humberto Mauro”, de André Di Mauro, dialogando com registros contemporâneos da cidade em uma narrativa audiovisual concebida por Pedro Chaves, além de performances de rap, dança, música, batalhas de rima e pintura ao vivo. A noite termina com o show “Cantos e Pontos”, da cantora Thaylis.

Programação de espetáculos

No domingo, 21 de junho, às 19h, no Anfiteatro Ivan Müller Botelho, será apresentado o espetáculo “Casca, origem e tempo”, com Adryana Ryal Petara Puri, Mayô Pataxó e Hiram Apon Puri. A peça narra a história de Nica, uma benzedeira que vivia às margens do Rio do Peixe, abordando desmatamento, queimadas e apagamento cultural em um drama poético com escrita autoral, interpretação e sonoridades ancestrais.

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Na segunda-feira, 22 de junho, às 19h30, o Centro Cultural Humberto Mauro recebe o músico, escritor e contador de histórias Dauá Puri, em uma apresentação que integra música, oralidade e elementos da cultura indígena Puri, um povo indígena do Sudeste brasileiro, cuja cultura sofreu apagamento territorial e histórico. Desde 2000, o Movimento de Ressurgência Puri promove a retomada de sua herança ancestral, valorizando sua ligação com a Mata Atlântica e a memória cultural.

Formação artística e criação de novos repertórios

A II Semana de Arte de Cataguases oferece sete oficinas gratuitas, com mais de 30 horas-aula, beneficiando mais de 200 pessoas. Para o público geral, estão disponíveis: “Vozes do Ontem, Corpos de Hoje”, com Adryana Ryal Petara Puri; “Mitos em Movimento: Animação e Realidade Aumentada”, com Angelo Pixel, Auá Mendes e Cláudio Santos; e “Videodanças, Videoperformances e Videocartas In-Excorporadas”, com Alba Vieira.

Nas escolas e distritos cadastrados, serão realizadas as oficinas: “Atelier Sonoridades Puri com Bambu, Violas e Pios”, com Dauá Puri; “Oficina de Realização Cinematográfica”, com André Di Mauro e Federico Bardini; “Oficina de Animação em Pixelation”, com Sapulha; e “Oficina de Pintura em Tela”, com Francisco Severino. Todas as oficinas possuem horários, locais e limites de participantes específicos, com inscrições abertas pelo formulário disponível.

Para o público em geral, a oficina “Vozes do Ontem, Corpos de Hoje” propõe experiências performáticas e poéticas que conectam ancestralidade, corpo e memória, estimulando a criação autoral dos participantes. Será realizada no dia 20 de junho, das 13h às 16h, na Chácara D. Catarina, com capacidade para até 100 alunos. Já “Mitos em Movimento: Animação e Realidade Aumentada” integra o projeto Mitologia Estendida e propõe a criação de animações em realidade aumentada a partir do filme “O Descobrimento do Brasil” (1937), de Humberto Mauro. A oficina será no dia 20 de junho, com duração de 6 horas, para até 15 participantes, no Animaparque. A oficina “Videodanças, Videoperformances e Videocartas In-Excorporadas”, conduzida pela artista e pesquisadora PhD em Dança Alba Vieira, investiga a relação entre corpo, espaço e narrativa audiovisual. Será realizada de 20 a 21 de junho, na Chácara D. Catarina, com três horas de duração a cada dia e capacidade para 30 participantes.

Nas escolas, o “Atelier Sonoridades Puri com Bambu, Violas e Pios” explora a cultura do povo Puri, seus cantos, instrumentos e práticas ancestrais. A oficina é direcionada para educadores e estudantes na Escola Municipal Francisco Rodrigues, em Aracati. A “Oficina de Realização Cinematográfica” desenvolve um projeto de curta-metragem em quatro dias consecutivos, abordando roteiro, captação de imagem e som, edição e finalização. Será na Escola Estadual Astolfo Dutra, no Dico Leite. No quarto dia, 25 de junho, será apresentado o curta produzido pelos alunos, às 9h, no Centro Cultural Humberto Mauro. A “Oficina de Animação em Pixelation” utiliza o corpo como principal ferramenta de expressão, explorando a técnica de pixelation. Será oferecida para estudantes da Escola Municipal Darcília Guimarães, no Justino. A “Oficina de Pintura em Tela” aborda técnicas de pintura direta, para alunos da E.M. Astolpho de Rezende, em Sereno.

Cinema e audiovisual: uma herança em movimento contínuo

Berço de Humberto Mauro e referência histórica para o cinema brasileiro, Cataguases mantém viva sua tradição audiovisual por meio da II Semana de Arte, ao receber três mostras que reúnem 18 filmes entre curtas, longas, animações e produções de alunos egressos do curso de Cinema e Animação da UEMG – Polo Cataguases. As sessões acontecem em diferentes espaços do município, abordando temas que vão desde o cinema modernista de Mauro até produções contemporâneas de videodança, animação, cinema experimental e filmes realizados pelos participantes das oficinas.

No dia 25 de junho, quinta, às 14h, começa a Mostra Curta no Cinema – Sessão Diurna, com os filmes “O Palco Animado de Humberto Mauro” (5 min), “Meu Nome é Maalum” (8 min), “Mulheres Peixe” (4 min) e “Tarsilinha” (93 min), no Centro Cultural Humberto Mauro. No mesmo dia e local, na Mostra Curta no Cinema – Sessão Noturna, às 19h, serão exibidos “O Palco Animado de Humberto Mauro” (5 min), “Bloco do Ary” (3 min), “Eu Sou Alcina” (3 min), “Mulheres Peixe” (4 min) e “Coração nas Trevas” (87 min). No dia 26 de junho, sexta, acontece a Mostra Curta na Rua, na Praça da Taquara Preta, a partir das 18h30, com os filmes “Beto” (5 min), “Dete e Deia” (8 min), “Aventuras na Pastelaria” (3 min), “O Palco Animado de Humberto Mauro” (5 min), “Bloco do Ary” (3 min), “Eu Sou Alcina” (3 min), “Meu Nome é Maalum” (8 min), “Mulheres Peixe” (4 min) e “Mitos Indígenas em Travessia” (22 min).

Encerramento celebra os encontros produzidos pela arte

A cerimônia de encerramento da II Semana de Arte de Cataguases, no dia 27 de junho, a partir das 19h, transforma o Monumento a Humberto Mauro, escultura de Amílcar de Castro localizada na Avenida Humberto Mauro, em um grande corpo vivo de experimentação artística. Intitulada “Monumento em Movimento”, a performance propõe uma interação sensorial com o monumento através do diálogo entre dança, música, arquitetura e audiovisual, inspirando-se nos quatro elementos da natureza – terra, água, fogo e ar – e evocando referências às cosmologias indígenas e afro-brasileiras, aos ciclos da vida, à memória ancestral e à relação entre corpo, natureza e território.

Em homenagem aos 100 anos de “Valadião, o Cratera” (1925), primeiro exercício cinematográfico de Humberto Mauro realizado em Cataguases, a performance ressignifica o monumento urbano ao ativar sua estrutura com projeções, movimentos e sonoridades. Com direção artística de Marcus Diego e coreografia de Mariana Martins, o espetáculo reúne bailarinos do Projeto Girarte e conta com participações especiais de Flora Amora, Thaylis Carneiro, da Orquestra de Berimbaus e do grupo Abadá Capoeira, ampliando o encontro entre diferentes linguagens artísticas e manifestações da cultura brasileira em uma celebração coletiva de memória, ancestralidade e vida em constante movimento.

Todos os eventos realizados pela Semana de Arte de Cataguases ocorrem em espaços com arquitetura inclusiva, acesso para cadeiras de rodas e pessoas com mobilidade reduzida, além de interpretação simultânea em Libras em todos os espetáculos. A II Semana de Arte de Cataguases — Ancestralidade para Novos Futuros conta com patrocínio do Grupo BAUMINAS através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais (CA 2024.3807.0089). Apoio da Fundação BAUMINAS, Instituto Energisa, Grupo Energisa, Prefeitura de Cataguases por meio da Secretaria de Cultura e Turismo, Companhia Industrial Cataguases, Polo Audiovisual da Zona da Mata, Animparque e Grupo de Pesquisa Girarte. Parceria Instituto Fábrica do Futuro e Projeto Girarte. A realização é do Studio Catá Arquitetura e do Governo do Estado de Minas Gerais.

Programação artística completa

19/06 (sexta-feira)
19h: Abertura das exposições Mitologia Estendida, Mostra de Artistas Cataguasenses e exposição individual e live painting de David Arranhado
Local: Galeria de Experimentação, Museu Energisa (Av. Astolfo Dutra, 41, Centro)
19h: Solo de dança Pulso Ancestral, com Tatiane Dias
Performance-ritual Txori Peo, Mata Clama, com Hiram Apon Puri
Local: Anfiteatro Ivan Müller Botelho (Av. Astolfo Dutra, 41, Centro)

20/06 (sábado)
19h30: Cerimônia oficial de abertura da II Semana de Arte de Cataguases
Show Cantos e Pontos, com Thaylis
Local: Praça Simão José Silva, Bela Vista

21/06 (domingo)
19h: Espetáculo Casca, origem e tempo
Local: Anfiteatro Ivan Müller Botelho (Av. Astolfo Dutra, 41, Centro)

22/06 (segunda-feira)
19h30: Apresentação de Dauá Puri
Local: Centro Cultural Humberto Mauro (R. Coronel Vieira, 10, Centro)

25/06 (quinta-feira)
09h: Exibição do filme produzido por participantes da oficina de Realização Cinematográfica
Local: Centro Cultural Humberto Mauro (R. Coronel Vieira, 10, Centro)
14h: Mostra Curta no Cinema – Sessão Diurna
Local: Centro Cultural Humberto Mauro (R. Coronel Vieira, 10, Centro)
19h: Mostra Curta no Cinema – Sessão Noturna
Local: Centro Cultural Humberto Mauro (R. Coronel Vieira, 10, Centro)

26/06 (sexta-feira)
18h30: Mostra Curta na Rua
Local: Praça da Taquara Preta (R. Maria Alcina, 125, Taquara Preta – Atrás da creche municipal)

27/06 (sábado)
19h: Performance de encerramento: Monumento em Movimento
Local: Monumento a Humberto Mauro (Av. Humberto Mauro, Centro)