A frota de veículos de João Pessoa cresceu 49,2% nos últimos dez anos e ultrapassou a marca de 500 mil registros em 2025. Em dezembro de 2015, a capital paraibana contava com 355.132 veículos. Atualmente, são 504.480, de acordo com um levantamento recente da CBN Paraíba, baseado em informações oficiais. No período, a cidade ganhou 164.072 veículos adicionais circulando pelas ruas. Isso representa, em média, cerca de 16,4 mil novos veículos por ano, 1.376 por mês ou aproximadamente 45 veículos inseridos diariamente no trânsito da capital.
Crescimento populacional versus frota
Enquanto a frota de veículos avançava quase 50%, a população de João Pessoa cresceu 15% no mesmo intervalo, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na prática, o número de automóveis aumentou mais de três vezes acima do ritmo de crescimento populacional. Esse descompasso tem reflexos diretos na mobilidade urbana. Em muitas cidades brasileiras, a infraestrutura viária não acompanhou a velocidade desse crescimento, e João Pessoa não é exceção. Nos horários de pico, ruas e avenidas, planejadas para um volume menor de automóveis, operam próximas do limite de capacidade, resultando em congestionamentos e aumento do tempo de deslocamento.
Transporte coletivo como solução
Diante desse cenário, especialistas apontam o transporte coletivo como uma das principais ferramentas para tornar as cidades mais eficientes. A principal vantagem está na capacidade de transportar um grande número de pessoas utilizando menos espaço viário e menos veículos circulando simultaneamente. “O planejamento urbano, cada vez mais, precisa priorizar a mobilidade e, nessa área, o transporte ocupa um lugar de bastante relevância. Assim, condições para um bom serviço no transporte coletivo de passageiros é essencial”, afirmou Isaac Júnior, diretor institucional do Sintur-JP. “O transporte coletivo possui capacidade de deslocamento de grandes volumes de pessoas, por isso, poluem bem menos. O transporte coletivo leva, diariamente, pessoas que precisam acessar o trabalho, os serviços de saúde, a educação e o lazer. Os gestores públicos devem pensar coletivamente, desde as boas condições das vias, a priorização do coletivo, as políticas tributárias e o subsídio para parcelas da população economicamente frágeis, essas questões precisam ser postas em prática com urgência”, concluiu Isaac.
Novo Marco Legal do Transporte Público
O debate sobre mobilidade urbana ganhou um novo capítulo em maio deste ano com a aprovação do Projeto de Lei nº 3.278/2021, que institui o novo Marco Legal do Transporte Público Coletivo Urbano. A nova legislação é resultado de mais de seis anos de discussões envolvendo especialistas, representantes do setor, técnicos e órgãos públicos. Para a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), o Marco Legal representa uma oportunidade de modernizar o transporte coletivo brasileiro e criar condições mais favoráveis para investimentos em infraestrutura, tecnologia e renovação da frota.
Atualmente, cerca de 180 mil pessoas utilizam o transporte coletivo por ônibus em João Pessoa para trabalhar, estudar, acessar serviços e manter a rotina em movimento. Ao longo de um mês, aproximadamente 4 milhões de passageiros utilizam os ônibus da capital paraibana. A frota atual conta com mais de 400 veículos em circulação, operando 84 linhas, conectando bairros, com destaque para os corredores mais movimentados e as linhas circulares.
Perspectivas com o Marco Legal
Entre os principais avanços esperados com o Marco Legal estão a ampliação dos investimentos no setor, a modernização dos veículos, melhorias na infraestrutura de apoio ao transporte coletivo e a criação de mecanismos que contribuam para tornar as tarifas mais acessíveis à população. “O marco legal deve viabilizar a ocupação do transporte coletivo no centro das atenções das gestões públicas”, destacou Isaac Moreira.
Com a capital paraibana cada vez mais populosa e um número crescente de veículos nas ruas, o fortalecimento do transporte coletivo aparece como um dos principais caminhos para melhorar a mobilidade urbana, ampliar o acesso das pessoas aos serviços e oportunidades e contribuir para um desenvolvimento mais sustentável das cidades.



