O fechamento do restaurante Didier, em Ipanema, devido ao alto custo do aluguel, reacendeu o debate sobre a concentração de restaurantes de alta gastronomia na Zona Sul do Rio de Janeiro. O chef Didier Labbé decidiu encerrar as atividades do estabelecimento localizado na Rua Vinícius de Moraes, um dos endereços mais valorizados da cidade.
Aluguel alto inviabiliza permanência
Segundo Labbé, o valor do aluguel tornou-se insustentável para o negócio, que já enfrentava desafios financeiros. A decisão de fechar as portas inspirou uma reflexão sobre a concentração de cozinhas de alto nível em bairros como Ipanema e Leblon, enquanto outras regiões da cidade permanecem subexploradas.
“O aluguel em Ipanema é um dos mais caros do Rio, e para um restaurante de pequeno porte como o meu, fica cada vez mais difícil manter as contas em dia”, afirmou Labbé. O chef destacou que, apesar do movimento na região, a margem de lucro é reduzida pelos custos operacionais elevados.
Chef Kátia Barbosa critica concentração
A chef Kátia Barbosa, proprietária do restaurante Aconchego Carioca, criticou a preferência dos empresários por bairros como Ipanema e Leblon, ignorando o potencial de outras áreas. “O Flamengo, Laranjeiras, até mesmo a Tijuca têm grande potencial para receber restaurantes de qualidade. O problema é que todo mundo quer estar na Zona Sul, e isso encarece o aluguel e limita a diversidade gastronômica”, disse Barbosa.
Ela ressaltou que a exploração de novos bairros poderia beneficiar tanto os comerciantes, com aluguéis mais baixos, quanto os moradores dessas regiões, que teriam acesso a opções gastronômicas de qualidade sem precisar se deslocar para a Zona Sul.
Debate sobre custo-benefício
O debate gira em torno do custo-benefício de manter um restaurante em áreas nobres versus a possibilidade de expandir para outras regiões. Dados da Associação de Restaurantes do Rio de Janeiro indicam que os aluguéis em Ipanema e Leblon podem ser até 300% mais caros do que em bairros como Flamengo ou Botafogo.
“Muitos chefs estão repensando seus modelos de negócio. Não faz sentido pagar um aluguel exorbitante se você pode ter um público fiel em outras áreas, com custos menores”, comentou o economista especializado em gastronomia, Pedro Almeida. Ele acrescentou que a descentralização pode ser uma tendência para os próximos anos.
Potencial de outras regiões
Bairros como Flamengo, Laranjeiras, Botafogo e até mesmo a Zona Norte, como a Tijuca, têm demonstrado potencial para receber restaurantes de alta gastronomia. A chef Kátia Barbosa exemplifica que seu restaurante, localizado no Flamengo, atrai clientes de toda a cidade. “Não preciso estar em Ipanema para ter sucesso. O que importa é a qualidade da comida e o atendimento”, afirmou.
O fechamento do Didier serve como alerta para a necessidade de diversificar os polos gastronômicos do Rio de Janeiro, evitando a saturação e os altos custos da Zona Sul. A expectativa é que mais chefs e empresários considerem alternativas fora do eixo tradicional.



