O estudante Milton Neto Pereira Resende, de 13 anos, que sobreviveu ao acidente entre uma van escolar e um caminhão em Goiás, recebeu alta hospitalar e voltou para casa. Ele estava internado há sete dias no Hospital Ortopédico de Goiânia (HOG). A mãe do adolescente, Lidiani Resende, de 41 anos, emocionada, afirmou que o filho é um guerreiro. Em entrevista, ela contou que ele se recupera em casa e sente dores apenas ao se movimentar.
“É um guerreiro. Foram dias intensos. Existem momentos de choro. Agora em casa, a comunidade ainda está muito entristecida e enlutada, no entanto feliz com o nosso retorno”, disse Lidiani. O acidente ocorreu na noite do dia 1º, na GO-518, entre Buriti de Goiás e Córrego do Ouro, região oeste do estado. A van bateu na traseira de um caminhão, matando cinco estudantes. Todos eram alunos do Colégio Estadual da Polícia Militar 5 de Janeiro, em Sanclerlândia. O motorista e outros sete passageiros ficaram feridos e foram socorridos pelo Samu e pelo Corpo de Bombeiros.
Recuperação e cirurgias
Lidiani considera o filho um milagre. Apesar das múltiplas fraturas, ele se recupera conforme o esperado. Antes de ser transferido para o HOG, Milton foi atendido no Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol). “Milton fraturou os ossos da face, além do braço esquerdo e do fêmur, que foram as lesões mais graves. Ele precisou passar por duas cirurgias, uma no fêmur e outra no braço, porque a fratura foi exposta”, relatou a enfermeira.
Misto de sentimentos
A enfermeira, mãe também de uma adolescente de 11 anos, disse que a família vive um misto de gratidão pela recuperação do filho e tristeza pelas mortes dos outros estudantes. A prioridade da família, que inclui o marido William Pereira, é a plena recuperação física e emocional de Milton. “Milton iniciou tratamento com uma psicóloga especialista em trauma. Por enquanto, ainda não sabemos como será. Estamos evitando ao máximo tocar no assunto perto dele. Iremos viver um dia após o outro, com calma e pensando no bem-estar do Milton”, afirmou Lidiani.
Mãe relembra momentos após o acidente
Quando chegou ao local do acidente, Milton já havia sido socorrido pelo Samu e levado a um hospital em Buriti de Goiás. O transporte até Goiânia foi um dos momentos mais difíceis. “Eu o encontrei no hospital. Depois acompanhei, como mãe e enfermeira, o transporte de ambulância até Goiânia, no Hugol. Foi um trajeto muito difícil, mas vencemos”, contou.
O g1 solicitou ao Hugol atualização sobre os outros dois estudantes internados. A última informação indicava que Emanuella Augusta, de 12 anos, estava em estado grave na UTI Pediátrica. Um menino, também de 12 anos, permanecia na enfermaria, em estado geral regular, consciente e respirando sem ajuda de aparelhos. Até o fechamento da reportagem, o hospital não respondeu.



