No Web Summit Rio 2026, realizado no Rio de Janeiro, um dos temas centrais foi o papel dos créditos de carbono na preservação da Amazônia. Peter Fernandez, representante da Mombak, empresa especializada em recuperação de áreas degradadas, destacou como as big techs estão investindo bilhões para compensar suas emissões de CO2. Esses recursos podem representar uma oportunidade única para o Brasil, combinando capitalismo e sustentabilidade.
O potencial dos créditos de carbono
Os créditos de carbono funcionam como um mecanismo de mercado: empresas que emitem CO2 podem comprar créditos de projetos que reduzem ou sequestram carbono, como a recuperação de florestas. No caso da Amazônia, a Mombak desenvolve projetos de reflorestamento em áreas degradadas, gerando créditos que são adquiridos por gigantes da tecnologia, como Google, Microsoft e Amazon. Segundo Fernandez, a demanda por esses créditos tem crescido exponencialmente, impulsionada por metas climáticas corporativas.
Como funciona o projeto da Mombak
A Mombak atua na compra de terras degradadas na Amazônia para restaurar a vegetação nativa. O processo inclui o plantio de espécies nativas, monitoramento por satélite e certificação internacional. Cada hectare recuperado gera créditos de carbono, que são vendidos a empresas. O lucro é reinvestido em novos projetos, criando um ciclo virtuoso. Fernandez explicou que a empresa já recuperou milhares de hectares e planeja expandir para outras regiões do Brasil.
Críticas e desafios
Apesar do otimismo, especialistas apontam desafios. Críticos argumentam que os créditos de carbono podem servir como uma 'licença para poluir', permitindo que empresas continuem emitindo sem reduzir suas próprias emissões. Além disso, a eficácia dos projetos de reflorestamento depende de monitoramento rigoroso e de garantias de permanência do carbono sequestrado. Fernandez reconhece esses riscos, mas defende que a certificação independente e a transparência são fundamentais para a credibilidade do mercado.
Oportunidade para o Brasil
O Brasil possui um enorme potencial para gerar créditos de carbono, dada a extensão da Amazônia e de outras áreas degradadas. Com investimentos de big techs, o país pode se tornar líder nesse mercado emergente. No entanto, é necessário um marco regulatório claro e incentivos fiscais para atrair mais projetos. O Web Summit Rio serviu como palco para discutir essas possibilidades, reunindo investidores, cientistas e formuladores de políticas.
Em suma, a combinação de capitalismo e tecnologia pode ser uma ferramenta poderosa para salvar a Amazônia, desde que haja responsabilidade e compromisso com resultados reais. A Mombak e outras empresas mostram que é possível alinhar lucro e preservação ambiental, mas o sucesso dependerá da colaboração entre setor privado, governo e sociedade civil.



