Amazônia Que Eu Quero debate tecnologia e desinformação em Porto Velho
Amazônia Que Eu Quero debate tecnologia e desinformação

O painel "Amazônia Que Eu Quero" 2026, realizado em Porto Velho nesta terça-feira (16), abordou a influência da tecnologia na democracia e o combate à desinformação. O evento, que ocorreu no auditório do Complexo da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, reuniu juristas e um cientista político para debater o papel da tecnologia no processo democrático e preparar o eleitor para as próximas eleições.

Participações e objetivos

O projeto, de iniciativa da Fundação Rede Amazônica (Fram), tem como objetivo promover discussões sobre tecnologia e democracia. As ideias levantadas durante o encontro serão compiladas no terceiro "Caderno de Soluções", um documento que reúne propostas da sociedade e será entregue a autoridades políticas como sugestão de melhorias. Participaram como painelistas o cientista político e professor João Paulo Viana, o desembargador Raduan Miguel Filho e o procurador regional eleitoral Leonardo Trevizani Caberlon.

Desafios na era digital

Um dos principais pontos discutidos foi como as redes sociais, algoritmos e mecanismos semelhantes influenciam o eleitor e criam dilemas para a Justiça Eleitoral. Além disso, o desafio de combater as fake news foi amplamente debatido. O cientista político João Paulo Viana destacou: "O algoritmo vai testar preferências. Os indivíduos passam a se relacionar apenas entre aqueles que pensam da mesma forma, radicalizando ainda mais sua forma de pensar e agir. Isso, no ambiente de fake news e desinformação, é extremamente maléfico para a democracia."

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O papel da Justiça Eleitoral no enfrentamento à desinformação foi ressaltado, com a adoção de medidas que responsabilizam partidos, candidatos e provedores de aplicativos por práticas ilegais nas redes sociais. O procurador regional eleitoral Leonardo Trevizani Caberlon explicou: "Percebemos uma evolução na legislação quanto a fatos notoriamente inverídicos. A tendência é a remoção quase imediata, sob pena de suspensão de perfis. A sanção prevista é a perda do mandato, caso essas informações sejam graves a ponto de influenciar o resultado eleitoral."

Equilíbrio entre inovação e responsabilidade

A discussão evidenciou que o futuro da democracia na era digital depende de equilibrar inovação tecnológica com responsabilidade institucional, garantindo que a liberdade de expressão não seja capturada pela desinformação e que o voto permaneça livre e consciente. O desembargador Raduan Miguel Filho reforçou: "O vício não está dentro da urna, o vício está fora, na pessoa que está segurando o voto, que vai colocá-lo na urna ou digitá-lo na cabeça. Ele entrou ali com a vontade dele, viciado. É isso que temos que evitar."

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