Acre desperdiça água equivalente a 27 piscinas olímpicas por dia
Acre desperdiça 27 piscinas olímpicas de água por dia

O estado do Acre desperdiça diariamente um volume de água equivalente a 27 piscinas olímpicas ou 90.983 caixas d'água de 750 litros. Os dados são de um levantamento realizado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a consultoria GO Associados, divulgado na última terça-feira (2).

Perdas na distribuição superam média nacional

De acordo com o estudo, o Acre registrou 56,48% de perdas na distribuição de água, índice bem superior à média nacional, que é de 39,53%. Os números são referentes a 2024. Caso o estado consiga reduzir as perdas para 25% — meta estabelecida pelo Ministério das Cidades para 2033 —, seria possível garantir o abastecimento para aproximadamente 154.671 pessoas.

O g1 tenta contato com o Serviço de Água e Esgoto do Estado do Acre (Saneacre) para obter um posicionamento oficial sobre a situação.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Rio Branco entre as piores capitais

Na capital acreana, Rio Branco, as perdas na distribuição chegam a 53,35%, também muito acima da meta nacional. A cidade figura entre as dez com piores índices de perda de água no país. Segundo o levantamento, cada ligação na capital desperdiça, em média, 951 litros de água por dia, valor muito superior ao limite de 216 litros.

O desperdício em Rio Branco equivale a 14 piscinas olímpicas ou 46.891 caixas d'água de 750 litros por dia. Com isso, 68.753 pessoas deixam de ser atendidas na capital.

Impactos das perdas de água

O relatório detalha que, no processo de abastecimento por redes de distribuição, podem ocorrer perdas de recursos hídricos em diferentes etapas do sistema, decorrentes de vazamentos, falhas operacionais, erros de medição, consumos não autorizados e inconsistências cadastrais. Essas perdas geram impactos ambientais, operacionais e financeiros relevantes, elevando os custos de produção, pressionando os mananciais e reduzindo a eficiência econômica dos prestadores de serviços de saneamento básico.

Cenário nacional

O estudo também mostra que, entre as capitais brasileiras, Goiânia (11,45%), Teresina (19,55%), Campo Grande (20,69%) e São Paulo (24,46%) já apresentam valores inferiores à meta de 25%. Por outro lado, Belém (58,96%) e Maceió (64,05%) estão entre as piores, com perdas de água muito acima da média.

No cenário nacional, o volume de água desperdiçado no Brasil em 2024 seria suficiente para abastecer 77 milhões de pessoas em um ano, mais que o dobro da população com acesso à água potável. “Essa quantidade não somente equivale a mais de um quarto da população do país, como também corresponde a mais de duas vezes o número de habitantes sem acesso ao abastecimento de água nesse ano, cuja grandeza situa-se em torno de 33 milhões”, aponta o relatório.

De acordo com o estudo, a redução das perdas para 25% poderia gerar R$ 47,3 bilhões em ganhos econômicos até 2033 e aumentar a resiliência dos sistemas de abastecimento diante das mudanças climáticas.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar