Hospital Einstein testa técnica inovadora sem stent para desobstruir artérias
Einstein testa técnica sem stent para desobstruir artérias

Pesquisadores do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, em parceria com a Universidade de Verona, na Itália, desenvolveram e testaram com sucesso uma nova abordagem para desobstruir vasos coronários de pequeno calibre com calcificação severa, sem a necessidade de implante permanente de stents. O estudo foi apresentado no congresso EuroPCR 2026, um dos mais importantes eventos de cardiologia intervencionista do mundo.

Combinação de técnicas evita stent permanente

A técnica inovadora combina duas ferramentas: a litotripsia intravascular, que usa ondas de choque para fragmentar placas de gordura calcificadas, e o balão farmacológico, que libera medicamento na parede do vaso para prevenir nova obstrução. Diferentemente dos stents, que são estruturas metálicas permanentes, o balão farmacológico é retirado após a aplicação, deixando apenas o remédio no local.

“A combinação permite tratar lesões complexas que, até então, muitas vezes exigiam stents de diâmetro muito pequeno ou até mesmo cirurgia de revascularização”, explicou o Dr. Ricardo Alves, um dos pesquisadores do Einstein envolvidos no estudo.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Resultados iniciais mostram segurança e eficácia

O estudo incluiu 45 pacientes com doença arterial coronariana grave, apresentando vasos com diâmetro inferior a 2,5 milímetros e calcificação acentuada. Após o procedimento combinado, 93% dos vasos tratados apresentaram fluxo sanguíneo normal, sem complicações maiores durante o acompanhamento de seis meses. A taxa de reestenose (nova obstrução) foi de apenas 6%, comparada a taxas históricas de até 20% com stents convencionais em vasos pequenos.

“Os resultados são muito animadores, mas ainda precisamos de estudos maiores e com acompanhamento mais longo para confirmar a superioridade dessa estratégia”, ponderou o Dr. Alves.

Impacto na prática clínica e próximos passos

Se confirmada em ensaios clínicos de fase III, a técnica pode reduzir significativamente o número de cirurgias cardíacas e de implantes de stents em pacientes com anatomia coronária desfavorável. A aterosclerose, condição caracterizada pelo acúmulo de placas de gordura nas artérias, afeta milhões de brasileiros e é a principal causa de infarto do miocárdio.

O Einstein já planeja um estudo multicêntrico com 300 pacientes para comparar a nova técnica com o tratamento padrão (stent farmacológico). A expectativa é que os resultados estejam disponíveis em dois anos.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar