Aves sentem gosto dos alimentos e são imunes à pimenta, revela ornitólogo
Aves sentem gosto e são imunes à pimenta, diz ornitólogo

As aves sentem o gosto dos alimentos, embora seu paladar funcione de maneira diferente do dos humanos. De acordo com o ornitólogo Fernando Igor de Godoy, as aves possuem receptores gustativos localizados na língua, no palato e na base da cavidade oral, mas geralmente contam com menos papilas gustativas do que os mamíferos. Essa característica é resultado de adaptações evolutivas: muitas aves dependem mais da visão e do olfato para buscar alimento, mas o paladar ainda desempenha um papel importante na alimentação e sobrevivência.

Como funciona o paladar das aves?

Os receptores gustativos das aves identificam características químicas dos alimentos, permitindo que elas distingam sabores como doce, amargo, salgado e azedo. Segundo Fernando Igor, embora o número de receptores varie entre as espécies, as aves utilizam essas informações para realizar escolhas alimentares. Os psitacídeos – grupo que inclui araras, papagaios, periquitos e maracanãs – estão entre as aves com maior capacidade de percepção dos sabores. Eles demonstram preferência por frutos ricos em açúcares e evitam compostos excessivamente amargos.

Imunidade à pimenta

Uma curiosidade notável é que as aves não sentem a ardência das pimentas. A capsaicina, substância responsável pela sensação de queimação em mamíferos, praticamente não ativa os receptores de dor nas aves. "A capsaicina atua como um mecanismo de defesa das plantas contra mamíferos. Nas aves, porém, ela praticamente não ativa os receptores relacionados à sensação de dor", explica Fernando Igor. Essa imunidade permite que araras e papagaios consumam pimentas extremamente fortes sem desconforto.

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Parceria evolutiva

A ausência de sensibilidade à capsaicina traz vantagens mútuas. Para as aves, as pimentas representam uma fonte adicional de alimento. Para as plantas, as aves atuam como importantes dispersoras de sementes, ingerindo os frutos e eliminando as sementes em outros locais. "Esse processo contribui para a regeneração de áreas naturais e para a manutenção de diferentes ecossistemas", destaca o ornitólogo.

Paladar e sobrevivência

O paladar ajuda as aves a selecionar recursos alimentares, aumentando a eficiência em períodos de escassez. "O paladar pode auxiliar na seleção de recursos, aumentando a eficiência alimentar. Além disso, a capacidade de lidar com determinadas substâncias permite que aves frugívoras e granívoras explorem diferentes fontes de alimento", afirma Fernando Igor. Um exemplo é o comportamento de papagaios nos barreiros amazônicos, onde eles ingerem solo rico em minerais, selecionando o material de acordo com a concentração de sódio.

Visão e aprendizado

Apesar da importância do paladar, a visão é o principal sentido usado pela maioria das aves para procurar alimento. O comportamento alimentar também é influenciado pela experiência adquirida ao longo da vida. "As preferências alimentares podem ter tanto uma base genética quanto serem resultado de aprendizado. O paladar não atua sozinho; ele é combinado com a visão e a experiência individual para avaliar a qualidade e o valor nutricional dos alimentos", explica Fernando Igor.

Adaptações especializadas

A diversidade alimentar das aves se reflete em adaptações anatômicas. Os loris, aves encontradas na Austrália e em ilhas do Pacífico, possuem línguas altamente especializadas para a alimentação baseada em néctar. Essas adaptações mostram que o paladar integra um conjunto sofisticado de características que ajudam as aves a encontrar alimento, sobreviver e desempenhar funções fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas.

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