Fim do carro elétrico mais barato: JMEV Emova Easy suspende vendas no Brasil
JMEV Emova Easy suspende vendas; elétrico mais barato sai de linha

O sonho do carro elétrico zero-quilômetro na faixa dos R$ 70 mil durou pouco no Brasil. Anunciado em março como o modelo com a tecnologia mais barato do país, o subcompacto JMEV Emova Easy teve suas vendas oficialmente suspensas pela importadora E-Motors Brasil, conforme apurou o Jornal do Carro. Agora, para ter um carro elétrico novo, o consumidor precisará investir mais do que R$ 100 mil, segundo levantamento da reportagem.

Paralisação também atinge o Emova Urban

A suspensão das vendas também atingiu o irmão maior do modelo, o Emova Urban, que prometia custar R$ 99.990. A empresa confirmou que está entrando em contato com todos os compradores que haviam feito reservas para realizar a devolução integral do sinal pago. O recuo estratégico da marca foi provocado por uma “tempestade perfeita” que inviabilizou a operação da E-Motors Brasil. Segundo o CEO da empresa, Mercidio Jivisiez, dois problemas causaram isso: o aumento do frete marítimo e a entrada em vigor da alíquota cheia de 35% de imposto para veículos elétricos importados.

Frete marítimo dispara e imposto elimina margem

De acordo com Jivisiez, no início do ano o custo de um contêiner de 40 pés girava em torno de US$ 1.800. Recentemente, esse valor saltou para US$ 10.200. Além disso, o imposto de importação de 35% eliminou a margem de lucro de modelos de baixo custo. A intenção é retomar as vendas no futuro, mas não há previsão de data. Com isso, o topo do ranking dos elétricos mais acessíveis do Brasil mudou drasticamente.

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Ranking: os carros elétricos mais baratos do Brasil em julho de 2026

Sem os modelos da JMEV no mercado, a barreira psicológica dos R$ 100 mil voltou a ser o ponto de partida. Veja quais são as atuais opções mais baratas:

  • BYD Dolphin Mini — R$ 109.990: tornou-se o queridinho do público por entregar um pacote tecnológico interessante e bom espaço interno. É o carro elétrico mais vendido do Brasil e o modelo mais negociado no varejo.
  • JAC E-JS1 — R$ 119.900: um dos pioneiros da nova safra de elétricos urbanos, mas as vendas são tímidas.
  • GAC Aion UT — R$ 139.990: o mais novo integrante do mercado nacional, importado pela chinesa GAC, foca em custo-benefício, espaço de hatch médio e porte robusto.
  • BYD Dolphin GS — R$ 149.990: a BYD reduziu o preço da linha Dolphin, que oferece porte maior e acabamento superior ao irmão Mini.

Preço baixo não bastou: Renault Kwid E-Tech e Caoa Chery iCar também saíram de cena

A suspensão da linha Emova não é um caso isolado. Marcas bem mais estruturadas também não sustentaram a oferta de elétricos mais acessíveis. Donos dos títulos de elétricos mais baratos do país em anos anteriores, o Renault Kwid E-Tech e o Caoa Chery iCar foram oficialmente descontinuados. Ambos apostavam no preço agressivo, mas sofriam com baixo volume de vendas diante da chegada de novas marcas. O público brasileiro demonstrou que prefere pagar um pouco mais por modelos de marcas asiáticas com projetos nativos de elétricos, mais tecnológicos.

O caso do Kwid E-Tech é ainda mais emblemático. O hatch franco-chinês havia recebido uma reestilização completa, com tabela no limite dos R$ 99.990. No entanto, com pouquíssimos emplacamentos diante do fenômeno BYD Dolphin Mini, a Renault optou por tirá-lo de cena para não canibalizar o espaço do Geely EX2. Com essas baixas consecutivas e o imposto de importação cravado em 35%, a porta de entrada para os veículos 100% elétricos zero-quilômetro no país deu um salto aparentemente definitivo.

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