No coração financeiro de São Paulo, a Faria Lima, onde a Baleia substituiu o Touro como símbolo de ambição corporativa, o GAC Aion UT mostrou que não precisa de pose de predador para causar boa impressão. Vendido a partir de R$ 139.990 na versão de entrada e por R$ 159.990 na versão Elite testada, o hatch elétrico enfrenta rivais como o BYD Dolphin (a partir de R$ 150 mil) e o Geely EX2 (R$ 123.800), ambos com mais de 10 mil unidades emplacadas no ano. A missão do Aion UT é oferecer predicados que os concorrentes não têm.
Ao volante do GAC Aion UT
Testamos o Aion UT Elite por cerca de 30 minutos no trânsito denso da capital paulista. O hatch elétrico não impressiona pelo soco imediato no estômago, como alguns elétricos mais ariscos. A aceleração é comedida, progressiva e adequada ao uso urbano. O motor dianteiro de 204 cv e 21,4 kgfm de torque entrega força de forma previsível e suave, com 0 a 100 km/h em 7,3 segundos e autonomia de 310 km pelo Inmetro.
A calibração do acelerador ajuda a evitar trancos no anda e para paulistano, tornando a condução natural. A suspensão McPherson na dianteira e barra de torção na traseira é ajustada para conforto, absorvendo bem os impactos de pisos irregulares. A direção é firme e direta, com boa conexão, e o volante de empunhadura encorpada reforça a sensação de controle. Mesmo sem ajuste de profundidade da coluna, o banco elétrico do motorista na versão Elite compensa a limitação.
Algumas soluções incomodam
O ajuste dos retrovisores externos exige acionar o comando pela central multimídia antes de usar os botões no volante, transformando uma operação simples em um pequeno procedimento. A alavanca de seta não desarma automaticamente após a manobra, obrigando o motorista a cancelar manualmente – um lembrete sonoro que complica o básico.
O espaço interno impressiona: com 4,27 m de comprimento, 1,85 m de largura e 2,75 m de entre-eixos, o hatch oferece proporções de carro maior, com bom espaço para pernas no banco traseiro. No entanto, o entre-eixos longo reduz a sensação de agilidade em manobras apertadas, mas a câmera 360° e os sensores ajudam.
Acabamento e equipamentos
O acabamento agrada, com materiais e arremates esmerados. A versão Elite traz bancos dianteiros ventilados, ajustes elétricos, teto panorâmico fixo com cortina elétrica, carregador por indução de 50 W, porta-malas elétrico e pacote completo de assistências à condução. A central multimídia de 14,6 polegadas responde bem, com Android Auto sem travamentos. O painel digital de 8,88 polegadas, internet 4G, atualizações remotas e função V2L completam o conjunto. Na segurança, são seis airbags, câmera 360°, freio eletrônico com auto hold, controles de tração e estabilidade, sensores e assistentes como piloto adaptativo e frenagem autônoma.
O porta-malas tem 340 litros, mas parece não seguir o padrão VDA. Ainda assim, é correto para uso urbano e traz pneu sobressalente, item raro entre elétricos.
Conclusão
O Aion UT Elite passa a impressão de ser um carro mais maduro do que chamativo. Não aposta em acelerações violentas, mas em calibração confortável, dinâmica bem acertada e facilidade de guiar. Os deslizes de interface existem, mas o conjunto é menos dependente de exotismo e mais adequado ao trânsito real de São Paulo. Resta saber se os preços serão competitivos o suficiente para encarar um segmento disputado, onde a etiqueta ainda tem poder de veto.



