O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), tem evitado comentar publicamente a pauta da anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, mesmo após participar de um ato bolsonarista na avenida Paulista no dia 3 de abril. A estratégia de Nunes, segundo aliados, é consolidar o apoio de bolsonaristas para uma eventual candidatura ao governo do estado em 2026, sem se comprometer com temas polêmicos.
No evento, Nunes foi recebido de forma calorosa por lideranças do PL, como o presidente Valdemar Costa Neto e o pastor Silas Malafaia. Valdemar chegou a enviar um cumprimento especial ao prefeito, destacando que ele 'nunca abandonou o Bolsonaro'. O deputado federal Pastor Marco Feliciano, que apoiou Pablo Marçal contra Nunes em 2024, também elogiou o trabalho do prefeito, gesto interpretado como um pedido de desculpas.
Nos bastidores, a aproximação de Nunes com o bolsonarismo é vista como uma tentativa de evitar o que ocorreu em sua reeleição na capital, quando teve que disputar o eleitorado conservador com Marçal. Além disso, aliados apontam que o grupo bolsonarista está fragilizado pela associação de Eduardo Bolsonaro à sobretaxa de produtos brasileiros nos EUA, o que teria reduzido parte do apoio popular.
Questionado sobre a possibilidade de disputar o governo paulista, Nunes desconversa e afirma que sua preocupação atual é com a cidade. No entanto, ele já admitiu que concorreria ao cargo se tivesse o apoio de Jair Bolsonaro, em um movimento coordenado com uma eventual candidatura de Tarcísio de Freitas à Presidência.
Enquanto isso, Nunes busca superar outros possíveis candidatos ao governo, como o presidente da Alesp, André do Prado, que articula sua candidatura junto a deputados estaduais e prefeitos. Para isso, o prefeito se aproxima do ex-governador Rodrigo Garcia, conselheiro de Tarcísio, mas a costura depende de um acordo com o secretário de Governo Gilberto Kassab.



