O plano de paz dos EUA para a guerra na Ucrânia, que sugere ceder territórios ucranianos à Rússia, está gerando preocupações entre especialistas. A proposta inclui o reconhecimento do Donbass e da Crimeia como parte da Rússia, o que pode incentivar novas crises e desafiar normas internacionais estabelecidas.
Segundo a doutora em direito internacional Priscila Caneparo, a ideia viola a lei internacional. 'Por mais que utilizemos a palavra anexação, na verdade foi uma invasão. O que Trump tenta fazer é garantir os territórios ucranianos para Putin', afirmou.
Paulo Velasco, professor de Relações Internacionais da Uerj, concorda que há um golpe sobre a credibilidade do direito internacional. 'O que se diz é que estamos em uma nova era, a do fim do Estado de direito global, o conjunto de normas estabelecido no final da Segunda Guerra Mundial, que agora estão sendo rasgados', disse.
No domingo, delegações dos EUA e da Ucrânia se encontraram em Miami para discutir a proposta, em reunião tratada como positiva, sem produzir resultados concretos. Um representante americano irá a Moscou nesta segunda-feira ouvir o lado russo.
Especialistas apontam que a postura de Trump empodera Putin, um líder que se vê como o único capaz de restaurar as glórias do Império Russo e da União Soviética. Para a Ucrânia, restaria aceitar a perda de um quinto de seu território.



