EUA e Irã iniciam negociações nucleares em Zurique sob ameaças de Trump
EUA e Irã iniciam negociações nucleares em Zurique

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, abriu neste domingo (21) as negociações sobre o programa nuclear iraniano em Zurique, na Suíça, afirmando que os EUA veem um futuro de paz com o Irã e que os dois países podem seguir "juntos". As conversas são as primeiras entre Washington e Teerã após o acordo que encerrou a guerra no Oriente Médio, firmado há cerca de três meses.

Delegações de alto escalão

Vance chegou ao país europeu acompanhado de Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump e um dos chefes das negociações com o Irã, e do enviado especial de Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff. Do lado iraniano, participam o chanceler Abbas Araqchi, o presidente do Parlamento e negociador-chefe Mohammad Bagher Qalibaf, e o governador do Banco Central Abdolnaser Hemmati, segundo a TV estatal iraniana.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, expressou esperança de avanço nas negociações. "Espero que os envolvidos nas negociações consigam fazer o processo avançar com sucesso", disse Pezeshkian.

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Contexto de ameaças e trégua frágil

Horas antes do encontro, o presidente Donald Trump publicou no Truth Social que os EUA retomarão os ataques ao Irã "a menos que os iranianos impeçam seus aliados do Hezbollah no Líbano de causarem violência". Trump escreveu: "O Irã deve impedir imediatamente que seus PROPÓSITOS bem pagos no Líbano causem problemas. Se não o fizerem, atacaremos o Irã com muita força novamente, assim como fizemos na semana passada, só que com mais força!!!"

Paralelamente, o comando militar central do Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz em resposta a ataques de Israel no sul do Líbano, considerados violação do acordo com os EUA. A nota afirma que o estreito "será fechado à passagem de navios" e que este "primeiro passo é uma resposta ao descumprimento da promessa por parte do inimigo". O estreito, vital para o transporte de petróleo e gás, havia sido reaberto gradualmente nos últimos dias como parte do memorando de entendimento.

Prazo de 60 dias para acordo final

O memorando de entendimento assinado na semana anterior prevê um prazo de 60 dias para um acordo final focado no programa nuclear iraniano e no levantamento das sanções contra a economia do país. Segundo fontes diplomáticas, as conversas preparatórias começaram neste domingo, com negociações técnicas entre iranianos e americanos agendadas para segunda-feira (22), com a presença de representantes do Catar e do Paquistão como mediadores.

O porta-voz da diplomacia iraniana alertou que o protocolo estará "em risco" se suas cláusulas não forem aplicadas rapidamente, referindo-se à situação no Líbano, onde Israel e o Hezbollah se enfrentam. Já Trump ameaçou aplicar um pedágio no Estreito de Ormuz caso não haja acordo.

Violência no Líbano persiste

Apesar do cessar-fogo acordado em abril entre Irã e EUA, a trégua no Líbano continua frágil. Uma autoridade do Exército de Israel informou que as forças armadas receberam ordem para interromper os combates no sul do Líbano, mas a mídia estatal libanesa noticiou ataques aéreos israelenses em cerca de 20 localidades, com mais de 30 mortos. Desde 2 de março, os bombardeios israelenses no Líbano deixaram 4.057 mortos, segundo balanço do Ministério da Saúde libanês. O Exército de Israel relatou a morte de um soldado neste domingo, elevando para cinco o número de militares israelenses mortos desde o anúncio do memorando. O Hezbollah afirmou que Israel é "totalmente responsável" pelas violações da trégua.

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