Lula reúne ministros e discute sobretaxas dos EUA e terrorismo
Lula reúne ministros e discute sobretaxas dos EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu-se nesta quarta-feira (3) com sua equipe ministerial para discutir temas urgentes, incluindo a ofensiva comercial dos Estados Unidos contra o Brasil. Este é o primeiro encontro coletivo desde as trocas na Esplanada em abril, quando 18 ministérios mudaram de titular devido ao prazo de desincompatibilização para as eleições de 2026. O último encontro nesse formato ocorreu em março.

Pauta da reunião

Segundo interlocutores, a reunião abordou a campanha eleitoral deste ano, entregas governamentais a serem concluídas em um mês e lançamentos de programas pendentes. Também foram discutidas as novas tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros e a classificação de facções criminosas como organizações terroristas pelo Departamento de Estado norte-americano. Outros temas incluíram o fim da escala de trabalho 6x1, que não deve ser acelerado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e a nova indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), sinalizada por Lula.

Sobretaxas dos EUA

Na segunda-feira (1º), os Estados Unidos concluíram uma investigação acusando o Brasil de práticas que "oneram ou restringem" o comércio, como o PIX, desmatamento ilegal, pirataria e falhas anticorrupção. Como resultado, o Escritório de Comércio dos EUA (USTR) propôs tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, com exceções para produtos estratégicos como carne, frutas, café, aeronaves e terras raras. A taxa ainda não está em vigor, dependendo de consultas públicas. O governo brasileiro recebeu o relatório "com indignação", atribuindo-o a "provocação da família Bolsonaro".

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Em discurso em Catalão (GO), Lula cobrou uma reunião com o presidente Donald Trump e espera um telefonema para esclarecimentos. Uma segunda investigação dos EUA, concluída na terça-feira (2), apontou que 60 países, incluindo o Brasil, falharam no combate ao trabalho forçado, propondo tarifas adicionais de 12,5%. Interlocutores do governo acreditam que essa taxa se somará aos 25%, totalizando 37,5%, próximo dos 40% impostos no ano passado.

Classificação de facções como terroristas

Na semana passada, o Departamento de Estado dos EUA anunciou a classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. O governo brasileiro avalia as consequências. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que se reunirá com autoridades americanas para discutir a decisão. Lula declarou que o Brasil combaterá o crime organizado internamente e não aceitará intervenções internacionais.

Fim da escala 6x1

A PEC que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada de trabalho foi aprovada pela Câmara com apoio da base governista. No entanto, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmou que a Casa não pode ser obrigada a "carimbar" a proposta. A PEC foi enviada ao Senado na quinta-feira (28), e Alcolumbre encaminhou outra PEC sobre jornada de trabalho para a CCJ.

Indicação de Messias ao STF

Em abril, o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF, em uma derrota histórica para o governo. Na mesma semana, o Congresso derrubou o veto de Lula ao PL da Dosimetria, que reduz penas dos condenados em 8 de janeiro. Lula afirmou que reenviará a indicação de Messias ao Senado para a vaga aberta no STF.

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