O Hamas anunciou que vai entregar o governo da Faixa de Gaza a um comitê gestor, abrindo caminho para uma nova administração no território palestino. A decisão foi comunicada após reuniões com facções palestinas e mediadores internacionais, segundo fontes do grupo. A medida ocorre em meio a um frágil cessar-fogo com Israel, que vigora desde outubro de 2023, e pressões para uma solução política duradoura.
Detalhes do anúncio
O comitê gestor será composto por figuras independentes e representantes de diferentes facções, com o objetivo de administrar os assuntos civis de Gaza. O Hamas afirmou que a transferência de poder visa facilitar a reconstrução do território e melhorar as condições de vida da população, que sofre com os efeitos da guerra e do bloqueio israelense. A iniciativa foi elogiada por mediadores egípcios e da ONU, que veem nela um passo positivo para a estabilidade regional.
Contexto de violência e cessar-fogo
O anúncio ocorre em um momento de tensão, com ataques israelenses ainda ocorrendo em Gaza. Na terça-feira (7), um bombardeio israelense matou um funcionário do Comitê Egípcio em Gaza, Mohamed al-Wahidi, que organizava transmissões públicas da Copa do Mundo. O ataque também matou duas crianças, Hamza al-Deri, de 10 anos, e Fari al-Deri, de 8 anos, e o motorista Ahmed Daghmush, de 33 anos. As Forças Armadas de Israel afirmaram que o alvo era um integrante do Hamas, mas que apuram se Daghmush era o alvo pretendido. O diretor do Hospital Shifa, Mohamed Abu Selmiya, informou que Daghmush trabalhava como taxista e não tinha ligação com grupos armados.
Impacto humanitário
Desde o início do cessar-fogo em outubro, pelo menos 1.084 pessoas morreram em Gaza, entre elas 258 crianças, segundo autoridades locais de saúde. No mesmo período, cinco soldados israelenses também morreram. O Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, reporta que o número total de mortos na guerra chegou a 73.110. O órgão não diferencia civis de combatentes, mas afirma que mulheres e crianças representam cerca de metade das vítimas. As estatísticas são consideradas confiáveis por agências da ONU e especialistas independentes.
Reações e perspectivas
O técnico da seleção egípcia, Hossam Hassan, que tem chamado atenção para a situação dos palestinos, fez um apelo à comunidade internacional: "Talvez possamos transmitir uma mensagem coletiva: deixem o povo palestino existir. Deixem que tenha o direito de viver sua própria vida". O Comitê Egípcio em Gaza, que atua como braço humanitário do governo do Egito, fornece alimentos, abrigo e assistência aos palestinos, e foi responsável por instalar telões para a transmissão dos jogos da Copa do Mundo.
A guerra começou em 7 de outubro de 2023, quando combatentes do Hamas invadiram o sul de Israel, matando cerca de 1.200 pessoas e fazendo 251 reféns. O anúncio de saída do Hamas do governo de Gaza representa uma mudança significativa, mas ainda há incertezas sobre a implementação do comitê gestor e o futuro do cessar-fogo.



