A avaliação do governo Lula sobre a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na audiência sobre o tarifaço do governo americano contra exportações brasileiras é que a fala do pré-candidato a presidente foi feita em um tom 'puramente político-eleitoral' e frustrou empresários, que torciam para uma fala mais em defesa do Brasil na busca de evitar novas tarifas.
Munição eleitoral contra o adversário
A campanha de Lula planeja utilizar a fala do adversário como munição para reforçar o discurso de que o filho do ex-presidente Bolsonaro quer subordinar os interesses brasileiros aos dos Estados Unidos. Para assessores presidenciais, Flávio Bolsonaro não fez uma defesa dos empresários brasileiros e preferiu focar em ataques ao governo Lula, usando a audiência para seus interesses políticos.
Além disso, os auxiliares do presidente destacaram que o senador, mais uma vez, usou o caso do Banco Master para tentar atingir o governo Lula, mas omitiu sua relação próxima com o banqueiro Daniel Vorcaro. 'Neste ponto, com certeza ele não engana os assessores americanos, que sabem muito das notícias sobre a cobrança que o senador fez a Vorcaro para financiar o filme sobre seu pai', disse um assessor palaciano.
Críticas do vice-líder do governo
O vice-líder do governo, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), criticou Flávio Bolsonaro. 'Ele não foi defender o Brasil, mas apenas tentar apagar as próprias digitais. No passado, comemorou o tarifaço contra o país e agradeceu a Trump', afirmou o deputado. Ele acrescentou que, 'agora, só pede o adiamento. Diz que é o pior momento. Depois da eleição, pelo visto, o Brasil que se vire'.
Equipe de Flávio defende cumprimento de roteiro
Do lado de Flávio Bolsonaro, sua equipe diz que ele cumpriu um roteiro para também ser usado na campanha. A ideia é mostrar que ele buscou defender o país, atacando o governo Lula que – no seu discurso – é o responsável pelas ameaças de tarifaço da parte de Donald Trump. O senador, por sinal, pretende ficar mais alguns dias nos Estados Unidos, para tentar mostrar que ele segue tentando evitar o tarifaço, que será decidido até o dia 15 de julho.



