PF investiga Digimais por supervalorização; venda ao BTG fracassa
PF investiga Digimais por supervalorização de ativos

A Polícia Federal deflagrou uma operação contra o Banco Digimais, instituição financeira controlada pelo bispo Edir Macedo, apurando indícios de supervalorização de ativos em fundos de investimento e manipulação contábil. A investigação ocorre em meio a uma grave deterioração financeira do banco, que já enfrentava alta inadimplência em suas carteiras de crédito consignado e financiamento de veículos.

Entenda o caso

O Digimais, originalmente fundado como Banco Renner, passou por diversas reestruturações societárias até ser adquirido pelo grupo de Edir Macedo. Nos últimos anos, a instituição acumulou prejuízos e viu sua taxa de inadimplência disparar, especialmente nas linhas de crédito consignado e veículos, que representam a maior parte de sua carteira.

Segundo fontes próximas à investigação, a PF suspeita que o banco tenha supervalorizado ativos mantidos em fundos de investimento para maquiar seu balanço patrimonial e atrair compradores. A prática teria sido usada para dar uma aparência de saúde financeira que não correspondia à realidade.

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Venda frustrada ao BTG Pactual

A operação da PF também revelou que as negociações para a venda do Digimais ao BTG Pactual foram interrompidas. O banco de investimento desistiu do negócio após detectar inconsistências contábeis durante a due diligence. Procurado, o BTG Pactual não comentou o assunto.

O Digimais, por sua vez, afirmou em nota que "sempre atuou dentro da legalidade" e que está colaborando com as autoridades. A defesa do banco alega que a supervalorização apontada pela PF decorre de divergências técnicas na avaliação de ativos e não de má-fé.

Impactos e próximos passos

A investigação da PF pode resultar em ações criminais por crime contra o sistema financeiro nacional, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Além disso, o Banco Central do Brasil (BC) acompanha o caso e pode intervir na instituição caso sejam confirmadas as irregularidades.

Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que o escândalo pode abalar a confiança no mercado de crédito consignado e veículos, segmentos já pressionados pela alta inadimplência. O Digimais possui cerca de 200 mil clientes ativos e uma carteira de crédito de aproximadamente R$ 1,5 bilhão.

Até o fechamento desta edição, Edir Macedo não se manifestou publicamente sobre o caso. A PF continua as investigações e novas fases da operação não estão descartadas.

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