A Polícia Federal revelou que o Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, adotou práticas contábeis fraudulentas para inflar artificialmente seu patrimônio, em esquema semelhante ao do extinto Banco Master. Segundo a investigação, o banco superavaliou ativos e utilizou o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para emitir títulos com rentabilidade desproporcional, enganando órgãos reguladores e o mercado.
Superavaliação de ativos cria patrimônio fictício
De acordo com a PF, o Digimais comprou um ativo por R$ 31 milhões e o registrou em seus balanços por R$ 230 milhões, um aumento de quase 7,5 vezes. Essa diferença de R$ 199 milhões não tinha lastro financeiro real, configurando maquiagem contábil. A prática, segundo os investigadores, é análoga à utilizada pelo Banco Master, que também inflou seu patrimônio com ativos supervalorizados.
Uso do FGC para emitir títulos
Além da superavaliação, o Digimais teria utilizado o Fundo Garantidor de Crédito para lastrear emissões de títulos com rentabilidade muito acima do mercado, atraindo investidores com promessas de ganhos elevados, mas sem a devida cobertura patrimonial. A PF realizou buscas em endereços de dirigentes do banco, que agora respondem por crimes contra o sistema financeiro nacional.
Impacto e próximos passos
A investigação ainda está em curso, e a PF não descarta novas diligências. O Banco Digimais foi vendido recentemente ao BTG Pactual, mas a transação não impede a responsabilização dos antigos controladores. Especialistas apontam que o caso pode gerar multas e até a decretação de falência do banco, além de indenizações a investidores lesados. O Ministério Público Federal acompanha o caso.



