O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL-SP), rebateu na noite de segunda-feira, 6, as críticas feitas pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP). A parlamentar publicou um vídeo criticando a produção legislativa de Boulos, que se licenciou do mandato em outubro de 2025 para assumir o cargo no Executivo. Em publicação na rede social X, Boulos classificou o posicionamento de Tabata como “lamentável” e afirmou ter orgulho dos projetos que aprovou.
Comparação entre parlamentares mais votados
Tabata Amaral comparou a produtividade dos deputados federais mais votados em 2022. Segundo ela, Boulos transformou apenas cinco projetos em lei, número inferior ao de outros parlamentares. O recorte incluiu Nikolas Ferreira (PL-MG), com 1.492.047 votos; Guilherme Boulos, com 1.001.472 votos em São Paulo; Carla Zambelli (PL-SP), com 946.244 votos; Eduardo Bolsonaro (PL-SP), com 741.701 votos; e Ricardo Salles (PL-SP), com 640.918 votos. Tabata considera como produtivos aqueles que tiveram projetos transformados em lei e citou sua própria produção: 32 projetos aprovados e convertidos em leis.
A resposta de Boulos
Boulos rebateu afirmando: “Teria vergonha se tivesse votado a favor da Reforma da Previdência de Bolsonaro ou se fosse autor de uma lei que criminaliza as críticas ao genocídio de Israel na Faixa de Gaza”. A declaração faz referência a dois episódios: o voto de Tabata a favor da Reforma da Previdência em 2019, quando era filiada ao PDT e votou contra a orientação partidária; e o Projeto de Lei 1424/26, de autoria de Tabata, que equipara o antissemitismo ao crime de racismo. O texto ainda tramita na Câmara e prevê que críticas a Israel como Estado permanecem legítimas, mas veda ataques que responsabilizem coletivamente judeus. Boulos interpreta a proposta como criminalização de críticas ao que ele chama de genocídio em Gaza.
Histórico de rivalidade política
A relação entre os dois políticos tem origem na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2024. Antes do primeiro turno, Tabata criticou Boulos e a estratégia de “voto útil” da militância dele entre candidaturas de esquerda. Ela ficou fora do segundo turno e, posteriormente, anunciou apoio a Boulos contra Ricardo Nunes (MDB), que venceu a eleição. Até o momento, os demais deputados citados por Tabata não se manifestaram sobre as críticas.
Campanha pelo voto consciente
No vídeo que gerou o embate, Tabata faz uma espécie de campanha pelo voto consciente e orienta os eleitores a pesquisarem o histórico legislativo dos candidatos antes de votar. A deputada defende que a produtividade legislativa é um critério relevante para avaliar o desempenho dos parlamentares.



