O Partido dos Trabalhadores (PT) prepara uma ofensiva contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após declarações de Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama. A legenda estuda explorar três pontos principais: inelegibilidade, quebra de decoro parlamentar e uma nova investigação na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Inelegibilidade como principal arma
A primeira frente é a possibilidade de Flávio ser declarado inelegível com base em condenações anteriores ou em novos fatos revelados por Michelle. Segundo fontes do PT, a fala de Michelle pode ser usada para reforçar teses de abuso de poder e uso indevido de recursos públicos durante a campanha eleitoral. O partido avalia entrar com uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para questionar a elegibilidade do senador.
Quebra de decoro no Senado
A segunda linha de ataque é a quebra de decoro parlamentar. O PT estuda protocolar uma representação no Conselho de Ética do Senado contra Flávio, argumentando que suas declarações ou ações associadas à fala de Michelle violam os princípios éticos exigidos para o exercício do mandato. A base do governo Lula já sinalizou apoio à medida, e líderes partidários buscam articulação com outros partidos de oposição.
Investigação na Alerj
O terceiro ponto envolve uma investigação na Alerj sobre supostas irregularidades cometidas por Flávio quando era deputado estadual. O PT quer reabrir o caso dos ‘rachadinhas’ — prática de desviar salários de funcionários públicos — que já foi alvo de investigações anteriores. A declaração de Michelle, segundo o partido, traz novos elementos que justificam a retomada das apurações. “A fala dela expõe contradições que precisam ser esclarecidas”, afirmou um líder petista sob condição de anonimato.
Contexto e reações
A ofensiva do PT ocorre após Michelle Bolsonaro fazer declarações públicas que, na visão do partido, comprometem Flávio. Michelle, que é filiada ao PL e cotada para disputar a Presidência em 2026, teria mencionado informações sobre supostos acordos e manobras políticas envolvendo o senador. O PT vê nisso uma oportunidade para fragilizar a oposição e fortalecer a narrativa de combate à corrupção.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, nega qualquer irregularidade e classifica as movimentações do PT como “perseguição política”. Em nota, sua assessoria afirmou que “o senador sempre agiu dentro da lei e está tranquilo quanto às investigações”.
Especialistas ouvidos pelo blog avaliam que, embora as ações do PT tenham base legal, o sucesso depende da solidez das provas. “A inelegibilidade exige condenação definitiva, o que não é simples. Já a quebra de decoro depende de interpretação política do Senado”, analisa o cientista político Carlos Melo.



