O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato a presidente Romeu Zema (Novo) participou de seminário na Câmara Americana de Comércio. O Partido Novo aposta em Zema para a Presidência da República em 2026, buscando se firmar como uma alternativa de direita ao bolsonarismo. No entanto, nos estados, a legenda não tem conseguido abrir mão de alianças com o PL, de Flávio Bolsonaro, para aumentar as bancadas e garantir o rompimento da chamada cláusula de barreira.
Cláusula de barreira
A regra estabelece que os partidos precisam atingir um percentual mínimo de votos válidos para a Câmara dos Deputados ou um número mínimo de deputados eleitos para ter acesso a recursos do Fundo Partidário e ao tempo de propaganda no rádio e na TV. São necessários 2,5% dos votos válidos, distribuídos em pelo menos nove estados, com no mínimo 1,5% dos votos válidos em cada um deles, ou eleger 13 deputados federais, distribuídos em pelo menos nove estados.
Estratégia financeira
O presidente da legenda, Eduardo Ribeiro, avalia que o partido chega em 2026 com mais musculatura política e financeira. Nas eleições de 2018 e 2022, o Novo não utilizou recursos dos Fundos Partidário e Eleitoral, estratégia revista nas eleições municipais de 2024, que, segundo ele, deu resultado. O partido saltou de 35 vereadores e um prefeito em 2020 para 264 vereadores, 36 vice-prefeitos e 19 prefeitos em 2024.
“Ao longo de todo esse período, a gente acumulou quase R$ 100 milhões de fundo partidário e tem mais o fundo eleitoral que a gente vai ter. E nós vamos usar tudo. A gente já expandiu bastante o partido desde dois anos atrás, quando passamos a usar fundo partidário. Mas a gente deve chegar na eleição com um orçamento de R$ 80 a R$ 90 milhões, algo muito além do que a gente teve”, afirmou Ribeiro.
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Novo terá mais R$ 37 milhões de Fundo Eleitoral para as eleições deste ano. Com mais recursos, a expectativa é repetir o salto das eleições municipais na disputa de 2026, quando o partido deverá ter nominata completa na maioria dos estados. Ter nominata completa significa ter candidato em todas as vagas possíveis: governador, vice-governador e deputado estadual nos estados, e deputado federal.
Projeções para a Câmara
Na Câmara dos Deputados, onde o partido conta com cinco deputados, a projeção é aumentar a bancada para, no mínimo, 12. “No mínimo 12, mas a projeção mais otimista seria de 15 a 20 deputados. Se tudo der errado, a gente faz 12. E se o Zema crescer, passar de dois dígitos e ficar mais competitivo, a tendência é puxar mais”, pontuou Ribeiro.
Declarações de Zema e repercussão
Embora o Novo aposte que a candidatura de Zema impulsione o desempenho de seus candidatos ao Legislativo, foi justamente uma declaração do ex-governador que abalou palanques estaduais. Quando foram revelados áudios e mensagens de Flávio Bolsonaro cobrando pagamentos ao filme sobre Jair Bolsonaro, Zema se pronunciou nas redes sociais dizendo que a postura do senador era “imperdoável”.
“Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa”, disse Zema. Ele justificou o posicionamento aos colegas do partido como uma questão de “coerência”.
A fala gerou desconforto entre quadros do partido, principalmente nos diretórios de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, que dividem o palanque com o PL. Em Santa Catarina, o Novo estará na chapa do governador Jorginho Mello (PL), com o ex-prefeito de Joinville, Adriano Silva, como vice. No Paraná, o partido está na chapa do senador Sergio Moro, que foi para o PL, e com o ex-deputado federal Deltan Dallagnol candidato ao Senado. No Rio Grande do Sul, o deputado federal Marcel Van Hattem é pré-candidato ao Senado na chapa do colega Luciano Zucco (PL).
Os diretórios de Santa Catarina e do Paraná divulgaram notas reforçando as alianças locais e classificando o posicionamento de Zema como “precipitado”, mesmo tom da resposta de Flávio. Após as críticas internas, Zema moderou o tom e voltou a focar a artilharia no presidente Lula (PT).
O xadrez da terceira via
A estratégia de moderar o diálogo acalmou os palanques estaduais, mas não rendeu a Zema crescimento nas pesquisas. Na última pesquisa Quaest, Renan Santos (Missão) apareceu numericamente à frente de Zema, com 3% das intenções de voto, empatado com Ronaldo Caiado (PSD). Ao contrário de Zema, Renan tem feito críticas reiteradas a Flávio, mais até do que a Lula.
A avaliação interna do Novo é que há alinhamento com o Missão nas questões morais e na defesa do combate à corrupção, e que no Legislativo as legendas estarão juntas em muitas votações. Apesar disso, a orientação é manter o pragmatismo e não romper com o bolsonarismo, pelo menos até as eleições de 2026.



