Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) estão cobrando uma postura firme do presidente da Corte, ministro Edson Fachin, para conter a crise interna que se agravou nos últimos dias. A insatisfação é tamanha que a articulação tem ocorrido por meio de grupos de WhatsApp, com críticas à condução de Fachin e pedidos de ações mais enérgicas.
Pressão por liderança
De acordo com a coluna de Bela Megale, do jornal O Globo, ao menos quatro ministros manifestaram descontentamento com a forma como Fachin tem lidado com as tensões entre os integrantes do STF. Eles avaliam que o presidente precisa demonstrar maior firmeza para evitar que o clima de desgaste prejudique a imagem da Corte.
Um dos pontos de atrito é a relação entre o decano Gilmar Mendes e outros ministros, que têm trocado farpas públicas e privadas. A situação se agravou após declarações de Gilmar sobre a atuação de colegas em determinados julgamentos.
Articulação por WhatsApp
Em conversas paralelas, os ministros insatisfeitos têm cobrado que Fachin convoque reuniões para tratar do assunto e imponha limites. Um dos interlocutores afirmou que “a situação está insustentável” e que “Fachin precisa agir como presidente, e não como um mero coordenador”.
Outro ministro, sob reserva, destacou que a crise não é apenas de relacionamento, mas também de gestão: “Não se pode permitir que o STF vire um ringue. O presidente tem que usar a autoridade do cargo para pacificar”.
Reação de Fachin
Até o momento, Fachin não se manifestou publicamente sobre as cobranças. Nos bastidores, aliados do presidente afirmam que ele prefere uma abordagem discreta, evitando confrontos diretos. No entanto, a pressão interna aumenta, e há quem defenda uma reunião formal para discutir o assunto.
O STF enfrenta um momento delicado, com divergências públicas entre ministros em temas como prisão após segunda instância e direitos indígenas. A crise ameaça comprometer a credibilidade da Corte, que já sofre com críticas externas.
Impacto institucional
Especialistas ouvidos pela coluna avaliam que a falta de coesão interna pode enfraquecer o STF diante dos outros Poderes. Um cientista político consultado afirmou que “a imagem de unidade é fundamental para a legitimidade do Supremo. Quando os ministros trocam acusações, quem perde é a instituição”.
Até o fechamento desta edição, não havia previsão de reunião formal para tratar do tema. A expectativa é que Fachin tome alguma iniciativa nos próximos dias para tentar conter a crise.



