A disputa entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro expõe uma batalha aberta pela herança política do ex-presidente Jair Bolsonaro. A tensão familiar, que vinha sendo mantida em segredo, agora vem a público com acusações mútuas e movimentações nos bastidores.
Acusações e reações
Michelle Bolsonaro acusa o enteado de desrespeito e de tentar minar sua influência política. Em conversas reservadas, ela teria dito que Flávio age como se fosse o único herdeiro do capital político do pai. O senador, por sua vez, nega as acusações e afirma que sempre tratou a madrasta com respeito.
A ex-primeira-dama busca consolidar seu espaço político, especialmente entre o eleitorado evangélico, que foi crucial na campanha de Bolsonaro em 2018. Ela tem participado de eventos religiosos e cultivado alianças com lideranças evangélicas, o que preocupa Flávio, que já enfrenta dificuldades para conquistar o voto feminino.
O peso do eleitorado feminino
Dados de pesquisas internas indicam que a rejeição a Flávio entre mulheres é alta, o que teria contribuído para a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. Michelle, por outro lado, tem boa aceitação nesse segmento, o que a torna uma potencial candidata em 2026.
Segundo analistas políticos, a rivalidade interna ameaça a coesão familiar, que sempre foi um trunfo do clã Bolsonaro. “A disputa pública entre Michelle e Flávio pode fragilizar o projeto político da família, que depende da união em torno do patriarca”, afirma o cientista político Carlos Melo.
Movimentações nos bastidores
Nos últimos meses, Michelle tem se aproximado de aliados históricos de Bolsonaro, como o pastor Silas Malafaia, e participado de reuniões com pré-candidatos a cargos legislativos. Flávio, por sua vez, tenta reforçar sua base no Senado e manter o controle sobre o diretório nacional do PL.
A situação se agravou após uma entrevista de Michelle a uma rádio evangélica, na qual ela criticou indiretamente a gestão de Flávio no partido. Em resposta, o senador teria pedido ao pai que interviesse, mas Bolsonaro evita tomar partido publicamente.
Impacto para o futuro
A briga entre Michelle e Flávio ocorre em um momento crucial para a direita brasileira, que busca se reorganizar após a derrota de 2022. A falta de unidade pode abrir espaço para outros nomes, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que já é visto como um possível herdeiro político de Bolsonaro.
Especialistas apontam que, se a disputa não for contornada, o clã Bolsonaro pode perder força nas eleições municipais de 2024 e na disputa presidencial de 2026. “A família precisa definir uma estratégia clara de sucessão, sob risco de ver seu capital político se dissipar”, conclui Melo.



