Flávio Bolsonaro muda estratégia sobre tarifas dos EUA e ataca Lula
Flávio Bolsonaro muda estratégia sobre tarifas dos EUA

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) alterou sua abordagem diante da nova proposta dos Estados Unidos de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, em contraste com a estratégia adotada durante a crise comercial de 2025. Naquele ano, o presidenciável associava as sanções americanas ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao ministro Alexandre de Moraes e ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pela trama golpista. Agora, concentra seus ataques no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e reforça o discurso de soberania nacional e defesa das empresas brasileiras.

Mudança de Estratégia

A mudança ocorre após aliados avaliarem que a crise diplomática de 2025 fortaleceu Lula politicamente, permitindo que ele se apresentasse como defensor da soberania nacional diante das pressões americanas. Isso gerou capital político ao petista em um momento de forte rejeição ao seu governo. A pré-campanha de Flávio busca evitar que o mesmo roteiro se repita.

Na terça-feira, após as primeiras notícias sobre a possível taxa dos EUA, Flávio afirmou ter pedido diretamente ao presidente Donald Trump que não impusesse tarifas sobre empresas brasileiras. Também enviou carta ao secretário de Estado Marco Rubio defendendo a não adoção das medidas e argumentou que um eventual governo seu, em 2027, negociaria de igual para igual com os Estados Unidos.

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Contraste com 2025

A estratégia contrasta com o discurso adotado durante o primeiro tarifaço de Trump, em julho de 2025. Na época, Flávio relacionava as sanções à situação política brasileira e às decisões do STF, movimento endossado por Trump, que comparava o julgamento de Bolsonaro a uma caça às bruxas.

Em 11 de julho de 2025, o senador divulgou vídeo tratando o tarifaço como taxa Alexandre de Moraes. Em outra publicação, pediu a aplicação da Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras. Escreveu: Obrigado presidente Donald Trump. Faça o Brasil Livre Novamente. Queremos Magnitsky.

Flávio também sustentou que as tarifas não eram consequência de disputa comercial, mas resultado da situação de Jair Bolsonaro. Se Bolsonaro estivesse na mesa de negociação, a situação seria outra, afirmou em 11 de julho. Reproduziu a avaliação de que as medidas de Trump representavam resposta à atuação do STF e ao tratamento dado a Bolsonaro.

Críticas a Lula

As críticas ao governo Lula também estavam presentes, mas dividiam espaço com ataques ao STF. Em 16 de julho, escreveu: Lula cavou toda essa situação. Ele começou a ofender Donald Trump ainda durante a eleição americana. Infelizmente, a fatura dessa postura aloprada chegou.

O contexto político de 2025 era diferente. Quando Trump anunciou tarifas de 50%, Jair Bolsonaro ainda respondia ao processo sobre a trama golpista no STF. Aliados esperavam que a pressão internacional influenciasse o ambiente político e jurídico, inclusive na aprovação de anistia aos envolvidos com o 8 de Janeiro. As medidas de Trump foram interpretadas como reação ao governo Lula e ao tratamento a Bolsonaro.

Avaliação Atual

Passado quase um ano, a avaliação na oposição é diferente. Interlocutores da pré-campanha afirmam que a orientação é concentrar o debate na responsabilidade do governo pela deterioração das relações entre Brasília e Washington. Moraes, embora ainda alvo de críticas, não tem sido protagonista das ofensivas de Flávio, considerando a situação jurídica do pai e a tentativa de projetar uma imagem moderada.

Aliados afirmam que a principal preocupação é impedir que Lula monopolize a bandeira da soberania nacional, discurso que ganhou força na crise de 2025 e produziu ganhos políticos ao petista. Flávio tem investido em trazer essa pauta para si, incluindo soberania em seus discursos públicos.

Em vez de mencionar Alexandre de Moraes ou defender sanções contra autoridades brasileiras, Flávio argumenta que empresários nacionais já enfrentam elevada carga tributária, critica a política externa de Lula e afirma que os EUA não precisariam de tarifas se ele fosse eleito presidente. Em vídeo na terça-feira, disse: Reforcei que os EUA não precisariam mais usar a política de tarifas para negociar com o Brasil porque a partir de janeiro de 2027 o Brasil terá um presidente que vai sentar para negociar de igual para igual.

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