O senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL) publicou um vídeo na tarde desta quinta-feira, 25, com modificações em relação ao posicionamento escrito que já havia divulgado sobre as críticas feitas por sua madrasta, Michelle Bolsonaro (PL). A ex-primeira-dama o acusou de maltratá-la e humilhá-la após uma divergência política sobre a chapa nas eleições do Ceará.
Trecho omitido no vídeo
Na maior parte da gravação, Flávio lê o texto que havia publicado anteriormente em suas redes sociais. No entanto, ele ignorou um trecho em que afirmava ter ligado para Michelle na manhã de quarta-feira, 24, para convidá-la a um evento com lideranças femininas organizado pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF). O texto original dizia: “Fiz mais um gesto não correspondido. Não atendeu. Deixei mensagem. Também não retornou. Para minha surpresa, na tarde de hoje [quarta] ela publicou o vídeo”. Flávio optou por não ler essa passagem ao gravar o vídeo.
Aceno dúbio para Michelle
Outra mudança ocorre no final, em um aparente convite para que Michelle participe da campanha. “O convite segue de pé e o coração, segue aberto Michelle. Porque a gente tem que focar no nosso Brasil, resgatar o nosso País. E sozinho é muito mais difícil. Preciso de todo mundo junto comigo. Posso contar com você?”, questiona Flávio. A fala, porém, é dúbia. O senador aponta para a câmera ao fazer a pergunta, o que permite interpretar que ele se dirige a todas as pessoas que assistem à gravação, não exclusivamente a Michelle.
Ele repetiu que “nunca” desrespeitou, maltratou ou humilhou uma mulher na vida. “Jamais o faria com a esposa do meu próprio pai”, disse Flávio, reforçando que o foco é vencer o PT nas eleições.
Contexto da crise
As críticas de Michelle expuseram um racha no bolsonarismo e deflagraram mais uma crise na pré-campanha de Flávio, que tentava se recuperar do desgaste causado pelo áudio em que pede dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, que conta a história de Jair Bolsonaro.
A ex-primeira-dama afirmou que, após defender que o PL apoiasse a candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) ao governo do Ceará, recebeu uma ligação ríspida de Flávio. Ele e os irmãos já haviam negociado que o partido apoiasse Ciro Gomes (PSDB) em troca da indicação do pai do deputado federal André Fernandes (PL-CE) ao Senado. Além de apoiar Ciro, crítico contumaz de Bolsonaro, a aliança com o PSDB derrubaria a candidatura de Priscila Costa (PL), aliada de Michelle, ao Senado.
“Ele [Flávio] foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone. E eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”, afirmou Michelle.
Impacto na campanha
Segundo Michelle, desde esse dia Flávio não voltou a procurá-la. “Estou respeitando o que ele falou e é só isso”, disse, ao explicar por que não embarcou na pré-campanha do enteado. “Se considerasse necessário, o meu apoio já teria conversado. Estou na minha, continuarei recolhida”, afirmou.
A avaliação na pré-campanha de Flávio é que as declarações da ex-primeira-dama servirão como “material de campanha” para o PT. Agora, dizem, o senador precisará dobrar os esforços para se conectar ao eleitorado feminino, o que já era visto como urgente, dada a resistência do público à imagem de Jair Bolsonaro.



