A cada quatro anos, durante a Copa do Mundo, surge o debate sobre se o desempenho da Seleção Brasileira pode influenciar o resultado das eleições presidenciais. Uma análise do pesquisador Marco Bettine, da Universidade de São Paulo (USP), indica que não há correlação direta entre os dois eventos.
Histórico de Copas e eleições
Desde 1994, o Brasil disputou oito edições da Copa do Mundo, enquanto realizou sete eleições presidenciais (1994, 1998, 2002, 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022). Em nenhuma delas o resultado da competição esportiva se mostrou determinante para a escolha do chefe do Executivo. Por exemplo, em 1994, o Brasil venceu o tetracampeonato, e Fernando Henrique Cardoso foi eleito. Já em 2002, a seleção conquistou o pentacampeonato, e Luiz Inácio Lula da Silva venceu a eleição. No entanto, em 2014, o Brasil sofreu a histórica derrota de 7 a 1 para a Alemanha, e Dilma Rousseff foi reeleita. Em 2018, a seleção foi eliminada nas quartas de final pela Bélgica, e Jair Bolsonaro venceu o pleito.
Pesquisa da USP questiona impacto
Marco Bettine, pesquisador da USP, afirma que “a identificação do brasileiro com a seleção foi afetada por fatores políticos e escândalos, tornando a relação entre Copa e eleições menos relevante”. Segundo ele, candidatos tentam se associar ao apoio à seleção, mas na prática o impacto é incerto. A pesquisa não encontrou evidências estatísticas de que o desempenho esportivo altere significativamente a intenção de voto.
Fatores políticos e escândalos
Bettine destaca que eventos como a Copa de 2014, marcada por protestos contra os gastos públicos e a derrota humilhante, não impediram a reeleição de Dilma. Da mesma forma, a eliminação em 2018 não beneficiou ou prejudicou Bolsonaro de forma mensurável. A conclusão é que o eleitor brasileiro separa o futebol da política na hora de votar.



