O colunista Carlos Andreazza comentou sobre a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e os impactos disso para a eleição presidencial no Brasil. A análise foi feita durante o programa da TV Estadão.
Contexto da visita e desinformação
Um vídeo que circula nas redes sociais mostra a notícia de que os EUA propuseram uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, seguido por Flávio Bolsonaro dizendo: “agradeço ao presidente Donald Trump e ao secretário de Estado, Marco Rubio, por atenderem rapidamente ao meu pedido”. No entanto, o Estadão Verifica investigou e concluiu que o conteúdo é enganoso, pois o vídeo foi tirado de contexto.
Na gravação original, publicada por Flávio no Instagram, o pré-candidato à Presidência afirma ter solicitado aos EUA que classificassem as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Ele não menciona tarifas sobre o Brasil. O material foi divulgado pelo PT, que não respondeu aos contatos da reportagem. O gabinete do senador também não se manifestou.
Linha do tempo dos eventos
- Em 7 de maio, o presidente Lula esteve na Casa Branca e se reuniu com Trump. O chanceler Mauro Vieira informou que o combate ao crime organizado foi um dos temas abordados.
- Em 26 de maio, Flávio Bolsonaro encontrou-se com Trump. No dia seguinte, foi recebido no Departamento de Estado para discutir a classificação de facções brasileiras como terroristas.
- Em 28 de maio, a Secretaria de Estado dos EUA emitiu comunicado designando PCC e CV como organizações terroristas globais. Flávio publicou o vídeo de agradecimento na mesma data.
- Em 29 de maio, a porta-voz do Departamento de Estado, Amanda Roberson, negou que a decisão tenha sido influenciada por políticos brasileiros, incluindo Flávio.
- Em 1º de junho, o Escritório Comercial dos EUA propôs tarifa geral de 25% sobre produtos brasileiros.
Reações e acusações
O governo brasileiro sempre se opôs à classificação de facções como terroristas, por considerá-la uma ameaça à soberania nacional. Após o anúncio das tarifas, petistas associaram a decisão à visita de Flávio à Casa Branca, enquanto bolsonaristas culparam Lula. O governo Lula emitiu nota relacionando a tarifa à atuação da família Bolsonaro junto ao governo americano.
Flávio, por sua vez, afirmou ter enviado uma carta pedindo que os EUA desistam das tarifas. Em entrevista à Rádio Itatiaia, disse: “Nas três reuniões que tivemos, com o presidente Trump, o vice-presidente Vance e o secretário de Estado Marco Rubio, eu pedi expressamente: não taxem as empresas brasileiras”.
No dia 2 de junho, Trump publicou uma foto do encontro com Flávio nas redes sociais, chamando-o de “um jovem inteligente que ama muito seu País”.



